Criança “problema”?

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Não é de hoje que ouvimos dizer em toda sociedade, sobre os filhos dos amigos, vizinhos, ou parentes que tem filhos “problema”. Trabalho com crianças há alguns anos e, em cada momento da vida, uma percepção diferente. Mas algo nunca se modificou: a importância da família.
Família é base, alicerce, e onde se aprende regras básicas de higiene, convívio, educação, respeito e amor. Na escola as crianças aperfeiçoam esses e outros pontos importantes da vida diária, mas o foco é a aprendizagem e a aquisição de conhecimentos e conteúdos escolares. Porém, com a rotina cada vez mais corrida, as crianças ficam menos tempo em casa e com seus pais. Muitas vão para a creche desde os seis meses, local que se encarrega de educá-la juntamente com a família. Como psicóloga voltada à sustentabilidade emocional, quero propor uma reflexão! Você já se deparou com uma criança fazendo birra, malcriação, e até mesmo sendo agressiva com alguém? E quando esse comportamento é com os pais? O que te veio à cabeça no mesmo instante?
Libere-se de julgamento.
Você já pensou que essa criança pode ter transtornos psicológicos que influenciam diretamente no comportamento da criança? Já pensou que essa criança pode estar com problemas na dinâmica familiar? Essa dinâmica diz respeito à educação dada pela família e como pais e filhos se relacionam. Ela é importante para que se estabeleça um ambiente familiar saudável e equilibrado. Sem esquecer que a qualidade é mais importante do que a quantidade, e carinho vale mais que brinquedo. Quando nos deparamos com uma criança que não respeita regras e não obedece aos adultos, a criança em questão é criticada e julgada pela escola, por vizinhos e amigos da família. Quando chega a um consultório de psicologia, só se fala no comportamento ruim dela muitas vezes é possível observar que a criança não é “o problema”. Ela é apenas o reflexo da família, um sintoma da dinâmica familiar.
A dinâmica é bem simples, se algo não vai bem, ela com certeza será a mais atingida, a que mais manifestará sintomas de que há algo errado. Mas, antes que comecem as acusações entre os pais é importante entender que não existe apenas um “culpado”, mas sim um conjunto de fatores que resultam nesse cenário. Mudanças são fundamentais, inclusive a privação de algum elemento na rotina que os pais pretendiam não abandonar. Muitos querem um diagnóstico dos filhos, uma vez que lidar com fracasso é frustrante. Mas o diagnóstico infelizmente nem sempre é feito da maneira mais correta e responsável. E através dele vem toda a carga de rótulos que essa criança terá que carregar para toda a vida, fora as medicações exageradamente receitadas.
Não sou contra diagnósticos nem medicação, mas acredito que, em alguns casos, não seja a solução.Mesmo dentro de um diagnóstico, as crianças podem e devem ter suas capacidades exploradas e valorizadas pela família e os rótulos devem ser evitados. Criança, seja ela típica ou com algum transtorno, precisa de regras, e os ‘combinados’ com as crianças devem ser usados em casa, assim como em sala de aula. Os combinados funcionam muito bem, e podem ser montados de acordo com a rotina de cada um, e vão desde tarefas até comportamentos combinados (daí o nome) entre os membros da família. Se não estiver funcionando, é preciso empenho de toda a família, principalmente quando há indivíduos que também precisam de psicoterapia e não o fazem. Nossas crianças precisam de um olhar mais sereno, justo e acolhedor para elas. Tirem-lhes a culpa e o peso de não atenderem às suas expectativas. Esse é o primeiro passo para o caminho saudável que vocês tanto desejam.

 

Psicoterapeuta Corporal e Familiar.
CRP 0672729
No Facebook: Sustentabilidade Emocional

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