As lições da greve dos caminhoneiros

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Dizem que os sábios crescem na adversidade. Desta maneira, seria muito importante analisarmos quais são as lições que a greve dos caminhoneiros trouxe ao País

 

A primeira constatação é que o Brasil não tem um plano B para sair da dependência do transporte rodoviário. Isso nos remete a avaliar a matriz de transporte do Brasil e como buscar a convergência entre os vários modais, ou seja, a integração entre ferrovia, rodovia, hidrovia e aerovia. Outro ponto que ficou evidente foi à lentidão na reação do setor público. O País vive uma crise de liderança, sem Estadistas capazes de, com exemplos, serem os comandantes respeitados e admirados pelos brasileiros. A constatação é que temos um governo e governantes “frouxos”. Outro ponto que nos leva a reflexão refere-se à ausência de estoques reguladores. Ficou evidenciado que não há um mínimo de reservas estratégicas dos vários produtos que permitam enfrentar momentos de exceção. Isso vale também para a questão colocada acima, ou seja, é preciso também ter um plano alternativo para desovas dos estoques caso eles existissem. Também chamou a atenção o despreparo das Instituições no enfrentamento de situações como as que se apresentaram durante a mobilização dos caminhoneiros, tantos as públicas (executivo, legislativo e judiciário) como as privadas (sociedade civil organizada). Poucas estão preparadas para enfrentar greves nesta magnitude. Novamente chama a atenção a lentidão nas decisões que acabam adiando soluções que poderiam minimizar o efeito na ponta, para o cidadão comum. Outro ponto foi constatar como os especuladores atuam nestes momentos. Do empresário até o consumidor final o individualismo e o querer levar vantagem afloraram. Empresários cometendo crime contra a economia popular, elevando seus preços sem justo motivo, consumidores que precisavam de uma unidade de certo produto, estocaram, reduzindo os estoques e prejudicando outros consumidores, enfim, ausência total de senso coletivo.
Ficou evidenciada também a fragilidade das contas públicas governamentais. A margem para eventual renúncia fiscal é muito estreita, quase inexistente. O País trabalha no limite na gestão das contas públicas o que eleva a tensão quando é preciso mexer para baixo na arrecadação tributária. Houve também demonstração, notadamente nas redes sociais, que muitos brasileiros ignoram o funcionamento das contas públicas e ainda acreditam que o dinheiro público vem da emissão de dinheiro e não dos tributos.
Pensam que a conta do setor público não é repartida entre todos nós. Não se deram conta que no setor público não há almoço de graça. Outro ponto importante é definir o que a sociedade brasileira deseja da Petrobrás. Não é possível querer socializar o prejuízo e capitalizar o lucro. Ou a Petrobrás atua como se fosse empresa privada ou estatiza de vez. Esse modelo híbrido só gera insegurança e prejudica aqueles que investem nesta empresa e desejam regras claras e duradouras.
A greve trouxe também outras questões que avalio como positivas: foi colocada na pauta do dia a discussão sobre o modal de transporte no Brasil, ou seja, o tema logística e ainda a discussão quanto ao futuro da Petrobrás. Todos estamos curiosos em saber como os pré-candidatos tratarão estes temas. Enfim, se efetivamente queremos crescer como Nação é preciso amadurecer quando ocorrem fatos como os que vivenciamos e estão vivenciando atualmente no Brasil. Exercitar a capacidade de abstrair e tirar lições na adversidade é que permitirão construir um País que sonhamos. Valem as reflexões.

 

 

 

Economista, consultor empresarial e professor universitário (pós-graduação e
graduação). Com doutorado, mestrado e especialização em economia e finanças.
Sócio-diretor do escritório Reinaldo Cafeo & Consultores & Associados. Delegado do
Conselho Regional de Economia e vice-presidente da Associação Comercial de Bauru.

 

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