O protagonismo do tratamento em câmara hiperbárica fora do Brasil

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O tratamento de Oxigenoterapia Hiperbárica, administrado dentro da câmara hiperbárica, é um procedimento regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina na Resolução 1.457/95, fazendo parte do rol de Procedimentos Mínimos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O Brasil dota hoje de cerca de 200 câmaras hiperbáricas, número baixo se considerada uma população de 200 milhões de pessoas. O tratamento consiste em oferecer oxigênio 100% puro, sob pressão de até 2ATMs em um ambiente hermeticamente fechado, podendo ser um modelo para atender 1 pessoa (câmaras monoplace) ou até 10 pessoas (câmaras multiplace).
“As sessões de câmara hiperbárica, com até 2 horas de duração, oferecem aos pacientes benefícios terapêuticos para as mais variadas doenças. É um tratamento auxiliar aos antibióticos, cirurgias e importante no tratamento de feridas”, explica Larissa Passerotti, médica nefrologista pediátrica, especialista em medicina hiperbárica.
Ao respirar ar puro e pressurizado, a taxa de oxigênio nos tecidos aumenta por meio da corrente sanguínea. “O principal benefício da terapia é o resultado do oxigênio no sangue, com um efeito em todo o organismo, e não o seu contato direto, por exemplo, com uma ferida. O tratamento auxilia no processo de cicatrização das lesões e acelera a recuperação dos pacientes”, esclarece Larissa.
O tratamento é totalmente indolor. “Não há efeitos colaterais e concede benefícios, principalmente, em casos de feridas de difícil cicatrização, por promover a formação de novos vasos sanguíneos e acelerando o processo de cicatrização da lesão”, pontua a especialista.

Nos EUA, outra realidade

Rodney Nogueira é um brasileiro que mora nos Estados Unidos há mais de 20 anos, onde trabalha como enfermeiro em um hospital de Nova Iorque, local que disponibiliza à população cinco câmaras hiperbáricas multiplace (para até 10 pessoas), com capacidade de atendimento para até 50 pessoas por sessão.
“Nos hospitais americanos, para qualquer tipo de doença mais grave ou infecção mais aguda, o paciente é encaminhado primeiramente para câmara hiperbárica para tentar conter e tratar qualquer processo infeccioso antes de ser adotado um tratamento com remédios. O tratamento de Oxigenoterapia Hiperbárica é uma prática protocolar rotineiro no sistema de saúde americano”, contou Rodney.
Nos Estados Unidos, a oferta de câmaras é muito grande e os benefícios do tratamento é de conhecimento de toda a população e da classe médica. “Lá nos hospitais americanos, a indicação não é somente para feridas, mas sim, para qualquer patologia”, comenta o Nogueira.
Para a médica Larissa Passerotti, essa realidade tão distinta entre o Brasil e os EUA é o desafio do tratamento em câmara hiperbárica no país. “O caminho da informação e consolidação dos benefícios da Oxigenoterapia Hiperbárica é longo. É preciso um esforço conjunto da Sociedade Brasileira de Medicina Hiperbárica, clínicas de medicina hiperbárica, médicos e pacientes para a sua disseminação e para que mais pessoas tenham acesso”, diz.

Principais indicações

– Cicatrização de úlceras crônicas;
– Cicatrização de lesões por esmagamento, amputações e reimplantes;
– No tratamento de queimaduras graves;
– Para o fechamento de feridas e tratamento das lesões consequentes ao Pé Diabético;
– Nas lesões e complicações causadas por radio e quimioterapia;
– Na adaptação e cicatrização dos enxertos de pele comprometidos;
– No tratamento das osteomielites agudas e crônicas;
– Na desintoxicação de pessoas envenenadas por monóxido de carbono, cianeto e derivados;
– Nos casos de complicações e dificuldades de cicatrização pós-cirúrgico;
– Nos enxertos ósseos em cirurgias odontológicas.
– Cicatrização de lesões secundárias à traumas, úlceras por varizes e arteriais.

 

Rodney Nogueira: No hospital que trabalho, em Nova Iorque, há cinco câmaras hiperbáricas.

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