O novo passo de Yola Guimarães

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Yola Guimarães se notabilizou em Bauru como professora de dança, viajou o Brasil e parte do mundo envolvida com a arte em movimento e, agora, mostra sua vertente literária: hoje, 17/5, das 18h às 21h, no Café Dellarte, lança o livro “Bailando com as Palavras” – sua primeira publicação individual.

A obra, ilustrada com fotos coloridas e em PB, está dividida em três partes. Na primeira, “Histórias Imaginadas”, Yola aventura-se no universo da ficção. Na segunda, “Histórias Vividas”, apresenta suas memórias, de infância, adolescência e dos primeiros tempos de casada, quando então se mudou para Bauru, acompanhando o marido Maurício Lima Verde Guimarães – ex-presidente do Sindicato Rural de Bauru, falecido em 2018.

E por fim, como não podia deixar de ser, a terceira parte, intitulada “Histórias no Balé”, traz histórias dos momentos marcantes que vivenciou no mundo da dança.

Com esta publicação, nota-se que a verve criativa de Yola, tão conhecida dos tempos em que mantinha sua escola de dança e o Grupo Imagem, mas agora nos caminhos do universo da literatura.

NA ESCRITA

Nascida em São Paulo em 23 de dezembro de 1939, Yola, em 2016, passou a frequentar, como ouvinte, a Oficina da Palavra, iniciativa coordenada pela professora doutora Cecília de Lara. Após alguns encontros, ela começou a produzir seus primeiros textos e nunca mais parou.

Publicou três contos na Antologia aberta da Academia Bauruense de Letras e outros três na coletânea “Viajando nas Palavras”, organizada por Cecília de Lara e Fátima Tentor Salles.

Refletindo sobre a trajetória de Yola Guimarães e os vários papéis que exerceu ao longo de sua vida (filha, esposa, mãe, professora de balé e agora autora), no prefácio, Cecília de Lara -, coordenadora da Oficina da Palavra e membro da Academia Bauruense de Letras – ressalta o amor à arte e o prazer da escrita.

Nas palavras de Cecília de Lara: “Acredito que as muitas leituras que realizou vida à fora, e mesmo o exercício anterior profissional, da coreógrafa experiente, criando enredos e suas formas moventes de expressão, o amor à música, no canto coral, estejam aflorando por outras vias, igualmente pessoais e diversificadas, pelas quais se manifesta a riqueza interior do ser”.

A capa foi feita a partir da ilustração de Fátima Ap. Tentor Salles e conta com um texto escrito pelo fotógrafo Milton Carelo. O livro traz ainda o posfácio escrito por Cláudia Leonor Guedes de Azevedo Oliveira, ex-aluna de Yola, que ressalta a trajetória da mestra como uma pessoa essencial na formação de valores para os jovens que foram seus alunos.

Grupo Imagem nos anos 80: “Sertaneja” na Fazenda América
Pequena Yola em Salinas, Nova Friburgo, Rio de Janeiro

Deve-se Assinalar que Cláudia Leonor e Fátima também são membros da Oficina da Palavra, que atualmente em Bauru configura-se não só como um espaço voltado para autores em busca de aperfeiçoamento e desenvolvimento da escrita criativa, mas também como o local das amizades sólidas e duradouras.

Trajetória criativa

Nascida em São Paulo no dia 23 de dezembro de 1939, Yola Guimarães é a caçula da irmandade formada por Norma e Eduardo, todos filhos da dona de casa Wilma Quintanilha de Mello e do arquiteto Eduardo Kneese de Mello. Yola iniciou seus estudos de dança, aos nove anos, com a renomada mestra russa Maria Olenewa.

Casou-se com o agropecuarista Maurício Lima Verde Guimarães em 1960. Nesta nova etapa da vida, Yola e Maurício vieram morar em Bauru, mais especificamente na sede da fazenda América, grande produtora de café. Logo nasciam José Maurício, em 1962 e Clarisse, em 1965.

Foi quando os filhos chegaram à idade de frequentar a escola, que o jovem casal decidiu estabelecer moradia em nossa cidade, Bauru. Aí é que começa uma nova fase em sua vida: a de professora de balé. Em 1971 iniciou suas aulas nas dependências do Bauru Tênis Clube, e três anos depois estabeleceu sua escola nas novíssimas instalações da Associação Luso-Brasileira onde também realizou os primeiros festivais.

Em 1983 criou o Grupo Imagem que por mais de vinte anos levou o nome de Bauru para vários festivais, nacionais e internacionais. É dessa época que Hulda Bittencourt – diretora do Balé Cisne Negro em São Paulo, que havia sido colega de Yola na sala de Madame Olenewa -, a convidou para uma proposta irrecusável: a co-produção do Balé Quebra Nozes. Foram cinco apresentações perto do final do ano de 1984; uma parceria onde os bailarinos do Cisne Negro, bailarinos do Grupo Imagem e muitas alunas atuaram no mais belo dos contos de Natal. Há de se ressaltar que esta parceria repetiu-se dois anos depois com o Balé Copélia.

Mas a amizade perdurou ao longo destes anos e, em 2010 as alunas e alunos começaram a reunir-se em pequenas reuniões e, para a alegria de muitos, foi criado o espetáculo Rever, com uma seleção das coreografias mais significativas do Grupo Imagem. Entre elas figuraram Sertaneja Andina (premiada em Joinville em 1984, coreografia de Bete Marinho Azevedo) e Glória (coreografia de Paulo Vinícius).

Também foi remontada Sertaneja, criação da própria Yola Guimarães que continua a ser um marco atemporal nesta jornada criativa. Premiada no Encontro Nacional de Dança, em 1985, como Melhor Trabalho de Pesquisa, a referida coreografia foi escolhida pelo diretor Sivaldo Camargo para fazer parte do repertório da Companhia Estável de Dança, atestando a sua vida longa junto a uma temática que ainda faz parte do nosso universo.

SERVIÇO

Lançamento do livro “Bailando com as Palavras” (Editoral Canal 6) de Yola Guimarães: 17/5, hoje, das 18h às 21h, no Café Dellarte – Av. Getúlio Vargas, 18-46, em Bauru.

Fonte: https://m.jcnet.com.br/Cultura/2019/05/o-novo-passo-de-yola-guimaraes.html?utm_source=Whatsapp&utm_medium=referral&utm_campaign=Share-Whatsapp

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