Em disputa acirrada, Cartola e Pé de Varsa vencem Carnaval

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Apuração Carnaval Bauru 2018. 14/02/2018 Bloco Pé de Varsa: Fernando Carnevali, Gilson de Castro, Carlos Henrique "Pelé" e Andreia Rios recebem troféu.

Aos gritos de “o campeão voltou”, a Acadêmicos da Cartola recebeu o troféu de escola de samba vencedora do Carnaval bauruense, nessa quarta-feira (14), no Centro Cultural.

Com 179.5 pontos, a agremiação levou o 13.º título para casa após dois anos sem vitória. Com 1 décimo atrás, com 179.4, a Mocidade Unida de Vila Falcão conquistou a segunda posição.

Cartola e Mocidade Unida seguiram, desde o início da apuração, no Centro Cultural, com poucos décimos de diferença e com a escola da Vila Falcão na liderança. A virada aconteceu no quesito fantasia – sétimo dos nove avaliados -, quando a Mocidade Unida recebeu sua nota mais baixa, 9.7 e Cartola assumiu a ponta.

A escola de samba Tradição da Zona Leste alcançou o terceiro lugar, com 177.4, e a Coroa Imperial da Grande Cidade, com 176.1, terminou em quarto.

A escola de samba Tradição da Bela Vista foi desclassificada por desfilar com menos integrantes que o número mínimo permitido, 300.

BLOCOS

Já na categoria especial, o campeão dos blocos foi o Pé de Varsa, com 99.2, após empatar com a Estação Primavera (veja a relação completa no quadro ao lado). Neste caso, o critério de desempate adotado pelo regulamento é comparar as notas a partir do quesito enredo. Com nota 10 de ambos os blocos neste quesito, o desempate ficou para o seguinte, samba-enredo, em que Pé de Varsa teve duas notas 10 e Estação Primavera recebeu 9.5 e 10. Lembrando que as agremiações recebem três notas por quesitos e a menor entre elas é descartada.

CAMPEÃS

Com o enredo “As mãos que trazem à vida, criam, agradecem e fazem o Carnaval”, a Acadêmicos da Cartola foi a primeira escola a pisar na passarela do samba, no desfile de sábado (10), em Bauru, com dez alas e quatro carros alegóricos.

“Não acreditei até a última nota. Mesmo depois de 42 anos, cada Carnaval é como se fosse o nascimento de um filho. Foi muito difícil, mas devo muito ao nosso carnavalesco Claudio Goya. Nas horas difíceis, ele sempre estava para lá com seu jeito calmo e paciente”, comenta o presidente da Cartola, Paulo Madureira.

Além disso, o cartolense atribui a vitória à comunidade e à união de esforços. “Ninguém faz um Carnaval sozinho. O Carnaval é feito de todos, é de quem vive em comunidade. É uma felicidade muito grande”, completa.

A mesma emoção é compartilhada pelo carnavalesco Claudio Goya. “São cinco anos de Carnaval em Bauru, primeira vez campeão. Ano passado não ganhamos por muito pouco, mas a gente trabalhou muito e a alegria é imensa”, comenta.

Já o Pé de Varsa levou ao Sambódromo um tema polêmico e atual: o respeito à diversidade. O bloco foi o quarto a passar pelo Sambódromo de Bauru, na segunda-feira (12).

“Nós tivemos muitos empecilhos, estamos com uma nova diretoria, são meses de trabalho, enfim nossa resposta veio dentro da avenida. É muita emoção. Somos campeões”, afirma o presidente do bloco Pé de Varsa, Carlos Henrique Marciano, o Pelé.

O bloco teve como destaque principal Tiffany Abreu, jogadora do Vôlei Bauru e primeira transexual a atuar na competição mais importante da modalidade no Brasil, com permissão das principais entidades do esporte, que também desfilou pela Cartola.

Ausência

Neste ano, dois jurados não compareceram aos desfiles. Sendo assim, as notas que seriam atribuídas aos quesitos que competiam a eles, bateria e mestre-sala e porta-bandeira, foram automaticamente descartadas. “Nós tentamos contato de todas as formas e não tivemos sucesso. Também tínhamos um ‘plano B’, pessoas que poderiam substituí-los, o que também não foi possível. Mas acredito que não houve prejuízo maior e que a opção de não considerar a nota foi justa”, afirma o secretário de Cultura, Luiz Fonseca.

O presidente da escola Mocidade Unida da Vila Falcão, Jair Fontão Odria discorda e avalia que a falta dos jurados impactou o resultado da escola. “Se os dois jurados tivessem ido ou se, com a ausência deles, fosse decretado que todas as escolas receberiam nota 10, nós não perderíamos o Carnaval”, aponta. “Acho que ganhar e perder fazem parte da disputa. Parabenizo a Cartola, acho que mereceram”, conclui.

Fotos: Samantha Ciuffa
Acadêmicos da Cartola foi a 1ª escola de samba a desfilar pelo Sambódromo, no sábado e falou sobre as mãos
Bloco Pé de Varsa levou a diversidade para a avenida na segunda noite de desfiles

 

 

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