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quinta-feira, 30 de junho de 2022
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Conheça a história da jovem que venceu deficiência, passou em três vestibulares e hoje é microempresária

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Pegar ônibus, ter que estudar para a prova, andar a pé… você já parou para pensar quantas vezes reclama no seu dia por coisas triviais? Ana Raquel Périco Mangili poderia ser mais uma dessas pessoas, mas resolveu vencer qualquer obstáculo e seguir atrás dos seus sonhos. Ela, que nasceu prematura aos sete meses, tem Distonia generalizada, um distúrbio causado por complicações no pós-parto. Por conta disso, ela sofre com contrações e incoordenações musculares em todo o corpo e possui deficiência auditiva.

Mesmo assim, Ana passou um três vestibulares: em décimo lugar em jornalismo na Unesp e em primeiro em outras duas universidades particulares da região. Ana também já fez intercâmbio e possui uma microempresa de assessoria de imprensa. Nossa equipe conversou com a jornalista de Barra Bonita, que comentou os desafios e as vitórias em sua vida. Confira:

Ana, você tem distonia generalizada, certo? Gostaria que explicasse um pouco sobre este distúrbio.
Nasci prematuramente em outubro de 1994, após sete meses de gestação. Médicos afirmam que, provavelmente, me faltou oxigênio nos momentos seguintes ao parto (ou também pode ter ocorrido a icterícia, não dá para se descartar nenhuma das possibilidades, pois cheguei a ficar com a pele arroxeada e amarelada). Mas, de qualquer forma, algo no pós-parto me causou a Distonia generalizada, que é um distúrbio de movimento causado por contrações e incoordenações musculares. No meu caso, ela é generalizada porque se faz presente em todos os músculos do meu corpo.

Até se formar em jornalismo na Unesp, você passou por várias dificuldades em relação aos estudos? Como foi a infância na escola na cidade de Barra Bonita?
Minha infância fora da escola foi bem tranquila comparada com as vivências escolares. A Distonia sempre impactou na minha autonomia física e na disciplina de Educação Física do Ensino Fundamental e Médio. Já a deficiência auditiva também é algo que busco contornar diariamente nas aulas, com o uso de recursos de acessibilidade (aparelhos auditivos, Sistema FM) e técnicas que permitam o melhor aproveitamento dos conteúdos passados oralmente (leitura labial, leitura complementar de livros sobre o tema). Mas o que sempre pesou mais ainda foi a questão do preconceito, de crianças e até adultos que não sabiam lidar com minhas particularidades.

Contou com a ajuda dos professores e suporte da escola?
Cada escola que frequentei até hoje deu um suporte diferente em relação às minhas necessidades. Algumas foram mais solícitas, outras não, mas, de modo geral, tive bastante compreensão por parte de professores.

E, mesmo com as dificuldades, você sempre gostou de estudar?
Sim, é algo enraizado na cultura de minha família, meus pais sempre estimularam, em mim e na minha irmã, o hábito aos estudos.

No ensino fundamental você teve uma monitora, né?
Sim, e na faculdade também. É um recurso necessário para a minha autonomia física, já que tenho pouca mobilidade de ambos os braços.

Você pensou em desistir algum dia?
Do curso? Sim, no primeiro ano, porque eu ainda estava em dúvida entre Jornalismo e Letras, pois meu foco sempre foi a escrita, e o Jornalismo teria essa parte do audiovisual obrigatória na faculdade. Com o tempo, percebi que a Comunicação era de fato a área certa para os meus objetivos profissionais, e que Letras seria um curso muito fechado, principalmente pelo fato de ser mais voltado para a licenciatura ou a tradução, atividades que não estavam nos meus planos futuros

Quando você começou a se interessar pelo jornalismo? Como conheceu a profissão?
Eu já tinha o hábito de ler desde pequena, e comecei a ter prazer em escrever no ensino médio. Senti que podia colaborar com a sociedade onde vivo por meio de minhas produções textuais e do engajamento em causas justas. Uma vontade de ajudar a mudar o mundo para melhor sempre me motivou. Escolhi o jornalismo por causa disso.

Quando pensou em prestar o vestibular, tinha certeza que iria passar? Alguém te disse que você não iria conseguir?
Acho que certeza ninguém tem, né, sempre bate aquela insegurança básica na hora do vestibular, Mas eu sabia que tinha me preparado da melhor forma possível, e todos ao meu redor me incentivaram e me apoiaram.

Como foi a rotina de estudos para o vestibular?
Eu prestei vestibular no último ano do ensino médio, ainda estava tendo aulas durante a época das provas das principais universidades do país. A única coisa que fiz então foi reler apostilas, pesquisar na internet e ter algumas aulas particulares para sanar dúvidas pontuais minhas.

Qual a sua colocação? Quando você passou?
Passei em três universidades públicas brasileiras, entre elas a UNESP, onde passei em décimo lugar na classificação geral do curso de Jornalismo, de 2012 para 2013. Além disso, também passei em primeiro lugar em duas universidades particulares da região.

O período na Unesp foi mais tranquilo? As aulas foram especiais? Foi difícil seguir com a rotina de uma universidade?
Sim, comparado com as minhas vivências anteriores, sem dúvidas! As aulas sempre foram as mesmas, a única diferença é que, quando os professores vão passar áudios ou vídeos na classe, tem que ter legendas ou algum material por escrito, devido à minha deficiência auditiva. Não foi difícil seguir a rotina da universidade, mas foi muito cansativo devido ao fato de eu morar em outra cidade, Barra Bonita, e ter de viajar de ônibus mais de uma hora por dia para ir à universidade.

Quais os obstáculos que você teve que enfrentar nesta época?
As principais dificuldades no curso foram relativas às atividades laboratoriais de disciplinas sobre rádio e TV. De rádio porque tenho alterações na minha voz, decorrentes da Distonia, e também em relação à minha surdez, pois não entendo as palavras ouvidas sem fazer leitura labial (ver a boca das pessoas). Já sobre as atividades de telejornalismo, as dificuldades ocorreram por causa do meu distúrbio de movimento, a Distonia, que acarreta em hiperatividade muscular e posturas corporais instáveis, além também da questão da minha voz.

Em relação às amizades da sala, todos foram atenciosos?
Sim, fiz boas amizades na Unesp, não só com pessoas do meu curso, mas sim de outros também.

Você também fez um intercâmbio, né? Como surgiu a oportunidade? 
Fiz sim, e foi a primeira vez que estive no exterior, em 2015. Todo o meu relato desta experiência pode ser encontrado aqui: www.dyskinesis.com Após esse intercâmbio, surgiram outras oportunidades e estive fora do país mais umas duas vezes desde então.

E quais os seus planos para o futuro?
Eu me formei em março de 2017, abri uma microempresa (www.dyskinesis.com) com base no meu produto de conclusão de curso, para prestar serviços de assessoria em comunicação, inclusive para o local onde eu fiz estágio durante a minha graduação (ADAP de Bauru/SP). E, no final de julho de 2017, comecei um novo curso na ETEC de minha cidade, em outra área que, assim como o jornalismo, sempre me interessou muito: Informática para Internet.

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