Bauru: 2.ª mais pacífica entre cidades com mais de 300 mil

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Nações Unidas (noite).

Bauru foi classificada como a segunda cidade mais pacífica do País entre os municípios com mais de 300 mil habitantes em estudo divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Elaborado em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Atlas da Violência 2017 considerou as taxas de homicídios e de Mortes Violentas com Causa Indeterminada (MVCI) registradas em 2015.

No ranking, na frente de Bauru, que registrou índice de 9,3 mortes por 100 mil habitantes, aparece somente o município de Jundiaí, com taxa de 7,7. São consideradas MVCI as mortes que ocorreram por causas não naturais e cujo motivo não foi possível determinar.

Já na lista que inclui as 304 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, Bauru aparece na 19ª posição. Em 2015, o município registrou 32 homicídios e duas MVCI. Na região, conforme o JC noticiou, Jaú e Botucatu também apareceram em lugar de destaque – o primeiro na quarta posição e o segundo, na sexta posição entre as cidades mais pacíficas.

Samantha Ciuffa
Tenente-coronel Flávio Jun Kitazume

Para o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, o resultado reflete o trabalho integrado desenvolvido pela corporação e pelas demais autoridades públicas da cidade, incluindo representantes da prefeitura, Polícia Federal e Ministério Público.

“A administração municipal, por exemplo, patrocina a atividade delegada para o trabalho de fiscalização de estabelecimentos. E, por conta desta iniciativa, temos condições de reforçar o policiamento”, afirma.

ESSENCIAL

Ele salienta, ainda, a integração no âmbito da fiscalização viária, entre os policiais vinculados ao Pelotão de Trânsito e os agentes e representantes da Emdurb. “Isso resulta em uma melhor qualidade do serviço público”, cita. “Seja para discutir o estabelecimento de políticas públicas ou dar respostas rápidas a algum fenômeno emergente que envolva a criminalidade, esta relação próxima entre os agentes públicos é essencial”, completa.

Segundo o Ipea, fatores como nível de escolaridade e de emprego, o índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e renda per capita, bem como o crescimento rápido e desordenado das cidades também podem influenciar no volume de mortes registradas a cada ano.

“Foi feito um exaustivo trabalho com dados de todos os municípios brasileiros desde 1980 e concluímos que, a cada 1% de diminuição na taxa de desemprego, a taxa de homicídio diminui em 2,1%. Por outro lado, a maior circulação de dinheiro em várias pequenas cidades pode tornar viáveis economicamente os mercados locais de drogas ilícitas, observando-se o incremento à prevalência da violência letal”, detalha o instituto.

Paulistas em destaque

O estudo do Ipea em parceria com o FBSP apontou, ainda, que entre as 30 cidades mais pacíficas do País, 19 são paulistas. Já no ranking das 30 mais violentas, nenhuma é do Estado de São Paulo.

Na análise histórica do período entre 2005 e 2015, inclusive, o Estado registrou redução de 44,3% nas taxas de homicídios. Em 2005, foram contabilizadas 8.870 mortes e, dez anos depois, 5.427 assassinatos. Foi observada, ainda, uma diminuição do indicador para a região Sudeste como um todo, com estabilidade na região Sul e um crescimento acentuado no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil.

Ainda de acordo com o levantamento, em 2015, houve 59.080 homicídios no Brasil, o que equivale a uma taxa de 28,9 mortes por 100 mil habitantes.

“O perfil típico das vítimas permanece o mesmo: homens, jovens, negros e com baixa escolaridade. Contudo, chama a atenção o fato de que, na última década, o viés de violência contra jovens e negros tenha aumentado ainda mais”, observa o instituto.

Os dados analisados pelo Atlas da Violência 2017 são oriundos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e de registros policiais publicados no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do FBSP.

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