Três profissionais da linha de frente em hospitais públicos morreram de Covid

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Leonilda Vieira tinha 49 anos e era técnica de enfermagem no HB / Foto: Divulgação

Dos 3,6 mil servidores da rede hospitalar estadual de Bauru, 1.641 foram afastados por conta doença desde o início da pandemia

A Covid-19 já matou três servidores da linha de frente em hospitais públicos de Bauru durante a pandemia. As mortes ocorreram do fim de agosto até agora. O levantamento é da Secretaria de Saúde do Estado. De acordo com o último balanço divulgado pela pasta, as quatro unidades da rede pública da cidade somam 3,6 mil profissionais e, destes, 1.641 já foram afastados, sendo que 21 ainda se recuperam da doença.

Qualquer servidor da Saúde com suspeita da doença por apresentação de sintomas é prontamente afastado, segundo o Estado, seguindo um protocolo de assistência para proteção dos colegas e dos pacientes.

Um exame é feito e, até que o resultado saia, o afastamento permanece. Em caso de confirmação da Covid-19, o funcionário fica afastado por aproximadamente 14 dias para recuperação. Se o teste for negativo, o trabalhador volta à ativa, mas precisa de aval médico para tanto.

ASSISTÊNCIA LOCAL

Os 3,6 mil servidores atuam em quatro unidades públicas em Bauru: Hospital Estadual (HE), Hospital de Base (HB), Maternidade Santa Isabel e Hospital das Clínicas (no predião do Centrinho da USP).

A Secretaria de Saúde do Estado explica que o atendimento desses funcionários é feito nas próprias unidades onde eles atuam ou no SUS.

No HE, unidade referência para a Covid-19 e que possui o maior quadro de funcionários da rede – 1,8 mil profissionais -, o atendimento médico tem acontecido no ambulatório do próprio hospital, que teve parte isolada para atender especificamente os funcionários com síndrome gripal. A medida ocorre como forma de agilizar o serviço e evitar a contaminação dos demais membros das equipes.

Maioria proporcional no quadro de servidores, os técnicos de enfermagem são os que também mais se afastam por suspeita da doença, segundo o JC apurou.

O Estado garante, ainda, que todas as suas unidades possuem estoques completos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos profissionais que estão na “linha de frente” do combate à Covid-19. “A Secretaria de Estado da Saúde se solidariza com as famílias destes e de todas as demais vítimas do coronavírus do Estado de São Paulo e do Brasil”, afirma, em nota, a pasta.

Em tempo: não há informação sobre mortes por Covid-19 de profissionais que atuam nas linhas de frente na rede hospitalar particular de Bauru.

Na rede municipal

Já sobre as unidades de atendimento do município, a prefeitura, por meio de nota, informou que 314 profissionais de saúde já foram afastados desde o início da pandemia. 108 deles testaram positivo para a doença e nove necessitaram de internação. Contudo, não houve óbito registrado. Os dados são do último levantamento, realizado pela Secretaria Municipal de Saúde em 9 de setembro.

‘Ela tinha medo de ocorrer algo, mas o amor por ajudar pessoas era maior’

Entre as vítimas fatais da Covid-19 que atuavam na linha de frente em Bauru, estava a técnica de enfermagem Leonilda Vieira, de 49 anos. Ela integrava a equipe do Hospital de Base (HB) e sempre declarou paixão pela área aos familiares, mesmo em tempos de pandemia.

“Ela podia estar cansada, mas sempre ia trabalhar com um sorriso no rosto. Adorava ver os pacientes se recuperarem”, conta a irmã Rosana Bueno, 50 anos.

Leonilda se dividia entre o trabalho e a família e ainda estudava. Cursava o 4.º período da faculdade de Enfermagem para alçar voos ainda maiores. A Covid-19, contudo, interrompeu esses sonhos.

Segundo a prefeitura, ela apresentou início dos sintomas da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) em 3 de setembro e teve a confirmação da Covid-19 no dia 12.

Rosana conta que sua irmã foi internada, primeiramente, no Base e, logo depois, transferida para a Unimed, onde chegou a se recuperar inicialmente da Covid. “Foram 23 dias de internação, mas a doença deixou o pulmão comprometido e ela sofreu uma parada cardíaca”, comenta a irmã. Leonilda morreu no dia 4 de outubro.

A nota oficial da prefeitura confirma que ela era parte do grupo de risco, por ter hipertensão e lúpus. “Ela falava que tinha medo de algo ruim acontecer com ela, mas o amor por Deus e por ajudar as pessoas era maior. Tenho certeza que ela faria tudo de novo se pudesse”, finaliza Rosana.

Além da irmã, Rosana deixa a mãe, outros cinco irmãos, o esposo de 53 anos e um filho de 28 anos.

Leonilda Vieira tinha 49 anos e era técnica de enfermagem no Base; ela estudava para se tornar enfermeira, mas não deu tempo / Foto: Divulgação

Fonte: https://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2020/10/737668-tres-profissionais-da-linha-de-frente-em-hospitais-publicos-morreram-de-covid.html#.X4WJfkt4GYg.whatsapp

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