Tragédia em Brumadinho. Cuidados para não ser vítima de um golpe na Internet

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O oportunismo não é conhecedor de limites. Infelizmente existem mais
pessoas vitimadas pela tragédia de Brumadinho. Não apenas as vitimas
locais, mas também pessoas que sensibilizadas pelos apelos e que com
nítida vontade de ajudar, ofereceram doações em dinheiro.
O problema é que o fazem às pessoas erradas. Inúmeras contas falsas em
nome de entidades e governo estão sendo criadas e divulgadas via redes
sociais e Whatsapp. Igualmente, vaquinhas vêm sendo criadas e seus links
compartilhados. Crackers e fraudadores aproveitam o momento para lesar
pessoas interessadas em apoiar de alguma forma.
A desatenção para detalhes destes links e serviços gera inúmeras vítimas.
Aspectos visuais como erros de escrita, e-mails não oficiais e outros
detalhes já seriam suficientes para se detectar a tentativa de estelionato.
Não bastasse, o próprio Governo de Minas Gerais informa de que os
donativos arrecadados já são suficientes e que não existem contas abertas
para arrecadação de valores. Bastaria uma pesquisa no Google e a
checagem de sites oficiais.
Além disso, criminosos tem usado a curiosidade de pessoas para
encaminhar pishing scam, onde a abertura do arquivo no computador ou
dispositivo móvel, supostamente para se ver vídeos ou fotos da tragédia
instala um malware, comumente para capturar dados bancários e senhas.
Para evitar que mais pessoas sejam vitimas de golpes, bem como orientar
diante de problemas com fraudadores, seguem algumas recomendações
1) Jamais clique em conteúdos, fotos, e vídeos encaminhados via
comunicador WhatsApp e internet relacionado à tragédia, a menos
que conheça a fonte e procedência.
2) Avalie dados do remetente da mensagem, e-mail de origem,
número identificador, etc.
3) Pesquise no buscador se a “entidade”, “pessoa” ou ong de
arrecadação realmente existe o está engajada na causa.
4) Em casos de vaquinhas, cheque quem é o criador, verifique se existe
os dados que o identificam, pesquise seu nome em redes sociais e
veja se realmente envolvido com ongs ou serviços de apoio.
Desconfie de vaquinhas com muito tempo de duração.
5) Em caso de postagens suspeitas e em sites de vaquinha ou
crowdfounding, utilize a opção denunciar presente nos aplicativos e
redes sociais.
6) Desconfie de e-mails e mensagens que simulam a identidade de
ongs e órgãos oficiais. Estas entidades não enviam e-mails ou
mensagens. Avalie o cabeçalho do e-mail, e-mail utilizado e
principalmente, cheque no site do órgão se realmente existe tal
campanha.
7) Não forneça, jamais, dados pessoais como nome e CPF muito
menos o numero telefônico, em grupos de discussão nas redes
sociais criado a formar “voluntários” para a tragédia.
8) Caso tenha sido vitima, certifique-se de registrar o link (url) da
mensagem, ID da vaquinha o mesmo numero telefônico, bem como
todas as tratativas, comprovantes de depósito e conta bancária
utilizada.
9) Procure ajuda especializada para quebra de sigilo dos usuários dos
serviços de vaquinha ou redes sociais que criaram a fraude. Nos
termos do Marco Civil da Internet, os sites devem fornecer os
registros de IP dos criminosos que usaram sua plataforma, que são
guardados por 6 (seis) meses
10) Conscientize. Converse com amigos, no trabalho e com
familiares, a respeito dos golpes desta natureza e colabore para
uma maior maturidade em termos de segurança digital.
Bom senso é a melhor técnica de segurança para lidar com golpistas e
crackers que usam um momento de comoção para lucrar de forma
criminosa.
José Antonio Milagre, é perito e crimes cibernéticos do Instituto de
Pericias Digitais (Legaltech IPDIG), advogado, Mestre e Doutorando em
Ciência da Informação pela UNESP, pesquisador do Núcleo de Estudos em
Web Semântica e Dados Abertos – Newsda-br da USP, Presidente da
Comissão de Direito Digital da OAB/SP Regional da Lapa.
www.youtube.com/josemilagre

 

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