Suicídio: Um tema que precisa ser falado o ano todo

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O setembro amarelo acabou, mas o assunto “suicídio” precisa continuar sendo abordado, justamente pelo aumento crescente de casos, no Brasil, cerca de 7% nos últimos seis anos. No mundo são 800 mil casos por ano.

Entender o suicídio é difícil para a maioria, pois não existem causas objetivas para essa decisão. Quem não está passando por uma dor emocional insuportável, nunca entenderá o tamanho do sofrimento de um suicida.

Cerca de 90% dos que chegam a tentativas ou ao ato de tirar a própria vida, estão comprometidos por um adoecimento mental e psicológico decorrente de outros transtornos mentais, como depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência de substâncias ou outras desadaptações emocionais em geral. Entre estes, cerca de 60% nunca procurou um psicólogo ou psiquiatra para tratar seu problema.

Em época de autopromoção constante em redes sociais, o sucesso se tornou obrigatório, e a comparação é inevitável mesmo sabendo que nem tudo na vida dos outros é como são mostradas. Entre os jovens de 15 a 29 anos, os casos são cada vez mais comuns, provavelmente porque estão em uma fase de muita pressão social e se tornam mais vulneráveis emocionalmente.

O processo é gradativo, e a vida vai perdendo suas cores e o sentido através de situações difíceis e de um olhar focado somente no que não está doando certo. Histórias mal resolvidas, traumas enraizados na infância e adolescência, frustrações e rejeições não elaboradas, ressentimentos não esquecidos, e outros cenários como estes unidos aos transtornos mentais pré existentes são um solo fértil para que se instale um quadro que não trará final feliz.

Aquele que encontra no suicídio sua única alternativa, está em busca de paz, quer apenas o alívio e o cessar de seu sofrimento. Cabe a nós que estamos próximos, um olhar que enxergue os sinais para antecipar algum auxílio. Pergunte: “Onde está doendo?”, “O que podemos fazer juntos para melhorar as coisas?”. Dar o ombro e não ficar em posição de juízes do que é certo ou errado na desistência de viver.

Fique atento ao comportamento de isolamento, desinteresse em tudo que antes gerava prazer. Falas como: “Não aguento mais…”, “Quero morrer!”, são alertas e pedidos de socorro.

Para quem sente-se inclinado à desistência de viver, fale sobre sua dor, sempre existem no mínimo dois caminhos em todas as situações, e um deles é tentar mais uma vez. Busque ajuda especializada em centros de apoio e também com profissionais que podem te direcionar para um novo olhar.

“Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se”. Viktor Frankl

Juliana Assis – CRP. 06/93944

Psicóloga Clínica, Terapeuta Cognitivo Comportamental para Adolescentes e Adultos.

Contatos: 11 970473247 / ju.sassis@gmail.com

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