Repelentes: você sabe realmente como usá-los?

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A procura por repelentes aumentou nos estabelecimentos comerciais de Bauru e, por consequência, os preços, em alguns lugares, também registraram alta. A situação é reflexo do medo generalizado que atingiu os moradores da cidade diante da epidemia de dengue, que já contabiliza 4.193 pessoas infectadas e pelo menos 13 mortes em investigação.

Porém, mesmo com toda preocupação e dinheiro investido para se proteger, será que você realmente está usando o repelente da forma correta? Para responder dúvidas, o Jornal da Cidade ouviu especialistas, que destacaram alguns cuidados que não devem ser esquecidos na hora de comprar e aplicar o produto.

A primeira e imprescindível regra é ler o rótulo dos repelentes antes de levá-los para casa. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), são eficazes contra o Aedes aegypti produtos com um destes três princípios ativos: IR 3535, DEET (dietiltoluamida) e icaridina, sendo que o primeiro tem menor tempo de ação e o último alcança o maior tempo, de até 12 horas.

Aceituno Jr.
Infectologista Marcelo Pesce

Outros repelentes naturais, como citronela, cravo-da-índia e andiroba, até podem ser utilizados, mas é importante saber que sua eficácia é considerada baixa. “Além disso, não há nenhum estudo que informe o percentual de concentração do agente e a frequência de aplicação necessários para a pessoa ficar protegida”, acrescenta o infectologista Marcelo Pesce.

Os repelentes mais eficientes são os que possuem DEET e icaridina como princípio ativo. O primeiro garante proteção de 2h a 10h e o segundo pode chegar a 12h, quando a concentração de icaridina for de 25%. O dermatologista Ivander Bastazini destaca, contudo, que o tempo de ação pode ser menor, considerando variáveis como a quantidade de produto aplicado e o quanto a pessoa transpirar.

PESCOÇO E PÉS

Outra dica importante é não deixar de fora partes do corpo que frequentemente são esquecidas, como orelhas, pescoço e pés. Porém, é preciso estar atento para não permitir o contato com mucosas como olhos, boca ou nariz. “Os pais também não devem aplicar repelente nas mãos das crianças, já que elas colocam as mãos muito constantemente à boca”, cita Bastazini.

De maneira geral, os repelentes à base de IR 3535, por serem mais suaves, são mais indicados para crianças. Porém, existem versões infantis de produtos com outros princípios ativos, como a icaridina, que podem ser utilizadas até mesmo em bebês a partir dos seis meses de idade.

“Abaixo desta faixa etária, não existe nenhum estudo que recomende qualquer tipo de proteção contra picada de inseto”, pontua o dermatologista, salientando que todos os tipos de repelente são seguros para gestantes e pessoas idosas.

O infectologista Marcelo Pesce acrescenta outra dica: para associar o uso de repelente com protetor solar, o indicado é aplicar o protetor solar com 15 a 30 minutos de antecedência, para evitar a interação entre os dois produtos e possível redução da eficácia de um deles ou de ambos. “Vale lembrar que, hoje, também existem no mercado protetores solares que já vêm com repelente”, frisa.

Reaplicação

Para quem desejar proteção nas 24 horas do dia, o recomendado é reaplicar o repelente de acordo com a orientação do fabricante. Já quem quer racionalizar o produto, mas fugir do Aedes aegypti, a dica é usar o repelente sempre no período da manhã e final da tarde, quando o mosquito costuma ficar mais ativo.

É importante lembrar que não existem repelentes à prova d’água e, portanto, a indicação é sempre reaplicar o produto após o banho. Segundo o dermatologista Ivander Bastazini, o ideal é evitar que crianças durmam com o produto para evitar alergias e, no lugar dele, optar por barreiras físicas contra mosquitos.

“São aquelas telas colocadas sobre a cama ou o berço. Elas devem arrastar no chão pelo menos em um palmo e meio para impedir a entrada do inseto por baixo”, destaca.

Mito?

O mosquito Aedes aegypti pode picar por cima da roupa? Se o tecido for muito fino e muito aderente à pele, sim, segundo informa o dermatologista Ivander Bastazini. “O ideal é usar roupas mais grossinhas ou felpudas e que cubram a maior parte do corpo”, ensina.

Fonte: https://m.jcnet.com.br/Geral/2019/03/repelentes-voce-sabe-realmente-como-usalos.html

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