Política: substantivo feminino

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Texto: Ana Paula Toledo

 

O movimento sufragista reivindicou os direitos políticos para as mulheres, mais especificamente, o direito de votar e de ser votada. Surgiu na Inglaterra, no século XIX, e alcançou o mundo no século XX.

Créditos: Filme As Sufragistas, 2015

As creches, os hospitais municipais, o transporte público e, até a iluminação das ruas da cidade. Você mulher já pensou como tudo isso impacta no seu dia-a-dia?  Só uma mulher sente na pele o impacto que o funcionamento desses setores têm em nossas vidas, então, é natural que uma mulher pense em políticas públicas.

É só olhar para as 662 cidades do país que têm prefeitas. Nelas, há um menor número de óbitos de crianças, jovens e gestantes. Isso porquê elas dão mais atenção ás políticas públicas relacionadas a primeira infância, tais como: saúde, educação, alimentação e renda básica.

Em 2019, outro estudo feito pelo Instituto Patrícia Galvão, mostrou que prefeitas somam menos processos por fraude, corrupção e ainda conseguem mais recursos para governar. E no Congresso Nacional, as parlamentares são as que mais apresentam projetos de lei favoráveis aos nossos direitos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje a figura feminina são prefeitas em só 12% das cidades brasileiras e, 23% das cidades do país não tem nenhuma mulher na câmara municipal.

O cenário atual requer criatividade e mobilização na construção do conhecimento. E este artigo vem contribuir com a atual situação educacional, política e social que vive o Brasil, em especial na ampliação e consolidação dos estudos em filosofia feminista. Tendo em vista os desafios que se apresentam a todos nós, e a necessidade de reinvenção, criatividade educativa com o objetivo de discutir as questões contemporânea e atuais das humanidades a partir dos da teoria feminista.

Não obstante os avanços, os processos de desigualdades seguem firmes, com especificidades regionais que merecem atenção. Na representação política e da academia, as mulheres estão em grande desvantagem, o que tem implicado uma série de dificuldades/limitações na construção da área de ciências humanas de forma democrática, em especial na filosofia. Em especial notamos que estas limitações e dificuldades também acompanham o desconhecimento de teorias e estudos feministas mais recentes que têm colocado em nova perspectiva problemas filosóficos, epistêmicos, metodológicos e estéticos. O feminismo de uma forma geral permanece desconhecido e, assim sendo, alvo de incompreensão, críticas e ataques infundados, a exemplo do argumento que faz dele o outro lado do machismo, isto é, um projeto análogo de hierarquia, apenas uma troca de sinais na dominação de gênero e redução aos problemas de identidade. Nesse sentido, conhecer os diferentes feminismos e seu potencial crítico possibilita a renovação da ciência, da cultura, práticas sociais e econômicas, sempre no sentido da inclusão social e da equidade. Um dos exemplos é a contribuição do feminismo interseccional e de colonial na consideração de que os problemas de gênero afetam principalmente etnias e raças excluídas de nossa sociedade.

Ser mulher não nos livra de erros, de sentimentos, de expectativas que nós mesmas estamos prontas para lidar em uma sociedade meritocrática, competitiva e sem afetos.

Ser militante de nossas causas, almejar o fim do patriarcado, do racismo, do capitalismo e de todas as opressões não significa que diferente estamos livres de nossos traumas, nossas amarras individuais, nossos desejos e demandas.

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