Maioria se automedica e uso errado de remédios na dengue pode matar

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Fala Povo sobre automedicação. 13/05/2019 Inês Parizoto

Por Tisa Moraes, Jornal da Cidade

Bauru vive a maior epidemia de dengue de sua história, o que torna ainda maior o risco da automedicação para os moradores da cidade. O uso indiscriminado de medicamentos é um hábito comum entre os brasileiros, conforme revelou estudo recente realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha.

De acordo com o levantamento, 77% da população toma remédios sem orientação médica – uma média de três a cada quatro indivíduos. São pessoas que costumam recorrer a vizinhos, parentes e amigos para obter informações sobre como tratar problemas de saúde.

Além do risco de gerar reações adversas, como dores de cabeça e queda de pressão, ou até mesmo intoxicações, remédios administrados sem prescrição podem mascarar sintomas de doenças mais graves, ainda não diagnosticadas.

No caso da dengue – que infectou quase 16 mil e já matou 17 pessoas em Bauru -, o risco é ainda mais elevado. Isso porque o uso de um medicamento corriqueiro, como o famoso AAS, contribui para a redução da atividade das plaquetas no sangue, aumentando as chances de evolução para um quadro hemorrágico, que pode levar à morte.

“Em meio a uma epidemia de dengue, como estamos vivendo agora, é preciso ter atenção redobrada. Se a pessoa estiver com dengue, mas achar que está resfriada e tomar ácido acetilsalicílico (AAS), pode agravar o quadro da doença”, alerta a farmacêutica e delegada regional da Seccional de Bauru do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Rute Mendonça Xavier de Moura.

ANTI-INFLAMATÓRIOS

Malavolta Jr.
Marcos Cabello, da APM, faz alerta sobre casos de dengue

Além dos antigripais que contêm princípios ativos naturalmente anticoagulantes na formulação, como o AAS, outros medicamentos contraindicados são os anti-inflamatórios hormonais e não hormonais, como o ibuprofeno, nimesulida ou diclofenaco. Presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Marcos Cabello dos Santos explica que estas substâncias provocam agressão hepática (no fígado) e gástrica, além de uma alteração, ainda que pequena, na capacidade do organismo coagular sangue.

“A dengue já provoca uma agressão hepática naturalmente. Para tratar os sintomas, os medicamentos mais seguros são o paracetamol e a dipirona”, alerta, salientando que, em caso de febre alta, repentina e persistente, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos e nas articulações, a recomendação é procurar um médico.

“A dengue, na sua fase inicial, é muito parecida com outras doenças e pode ser confundida, por exemplo, com uma gripe simples. Tomar medicamentos sem orientação pode atrapalhar o diagnóstico precoce e até piorar o estado de saúde do paciente. Não é preciso correr no serviço de saúde ao primeiro sinal de febre, mas é importante ter cautela e estar atento aos sintomas associados”, aponta, acrescentando, ainda, como sinais de dengue a fadiga e manchas avermelhadas pelo corpo.

MAU HÁBITO

Em razão do alto índice de automedicação entre os brasileiros, o CRF-SP realizou uma ação no último sábado, no Calçadão, para orientar a população sobre o uso correto de medicamentos. A iniciativa ocorreu dentro da nona edição do programa “Farmacêutico na Comunidade”, que marcou o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, comemorado em 5 de maio.

Além de representantes da delegacia seccional do CRF-SP em Bauru, o evento contou com a participação de alunos e docentes da Unip, FIB e USC. Ao todo, cerca de 500 pessoas foram atendidas.

Além das orientações sobre os riscos da automedicação, também foram prestados serviços gratuitos de aferição de pressão arterial e glicemia. “É importante salientar que, sempre que a pessoa tiver dúvidas, o farmacêutico deve ser consultado. Quem entende o que pode ser prescrito é o profissional da saúde, especificamente o médico, mas o farmacêutico pode dar orientações sobre o uso correto dos medicamentos. Trata-se de um atendimento de fácil acesso e gratuito”, destaca Rute de Moura.

Douglas Reis
“Farmacêutico na Comunidade” ocorreu no último sábado, no Calçadão, para alertar a população

De reação alérgica a pico de pressão

Não é difícil encontrar quem já tenha vivido uma experiência ruim ao tomar remédios sem orientação médica. Na tarde dessa segunda-feira (13), a reportagem conversou, nas ruas, com pessoas que enfrentaram momentos críticos em consequência da automedicação.

É o caso da cabeleireira Inês Parizoto, 38 anos, que sofreu uma reação alérgica depois de tomar um medicamento que tinha dipirona na composição. O susto ocorreu há cerca de cinco anos, quando uma simples dor de cabeça acabou levando a uma corrida de emergência até o hospital.

“Comecei a ter dormência na língua, minha garganta começou a fechar e fiquei com muito medo de morrer. Hoje, evito ao máximo tomar qualquer tipo de remédio. É só em caso extremo, quando estou passando muito mal, e sempre depois de ir ao hospital para ter a prescrição médica”, comenta.

Já o estagiário em contabilidade Guilherme de Souza, 26 anos, conta que sofreu um pico de hipertensão arterial no mês passado, logo depois, justamente, de tomar um remédio para pressão alta que era da sua mãe. “Eu tomei por conta, mas não era o remédio ideal para mim. Eu cheguei a tomar três medicamentos diferentes. Minha pressão desregulou, chegou a 18 e precisei ir para o hospital”, revela.

O apuro, ele garante, serviu de lição. Hoje, assim como a mãe, o pai e o irmão caçula, Guilherme toma remédio todos os dias, de maneira regrada, para controlar a pressão arterial. “Fui ao médico e, agora, está tudo certo com a minha saúde”, completa.

 

Fonte: https://m.jcnet.com.br/Geral/2019/05/maioria-se-automedica-e-uso-errado-de-remedios-na-dengue-pode-matar.html?utm_source=Whatsapp&utm_medium=referral&utm_campaign=Share-Whatsapp

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