Lugar de mulher é na história

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Lugar de mulher é na história
Texto: Ana Paula Toledo – Jornalista

 

Em um mundo de raízes patriarcais e, por consequência, de cultura machista, é sempre válido endossar a causa da desigualdade de gênero. Embora as conquistas ainda venham a passos curtos, ao menos o movimento feminista tem obtido sucesso na penetração social de suas ideias. Assim, com o debate ampliado, torna-se mais fácil a efetivação de direitos essenciais nos mais diversos contextos de nossa sociedade.

Ao longo da história a mulher sempre lutou pelo reconhecimento de seu valor na sociedade, por muito tempo a figura feminina foi tratada como algo menor, secundário até. E o capitulo triste dessa história é a violência que sempre foi e ainda é praticada contra a mulher. Em 2006 uma ação de política pública criou a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha que coíbe a violência contra ás mulheres.

E é com este intuito que o texto chega para provar: que mãos, mentes e talentos femininos também suaram, idealizaram e batalharam para fazer do mundo um lugar melhor e mais justo. Para isso, analisamos a trajetória, o legado e a importância de diversas mulheres. Nossa intenção não é elaborar rankings ou hierarquizar a relevância de cada uma, mas sim que você se informe, reflita e se inspire com as histórias a seguir.

 

FRIDA KAHLO
Marcada por traumas, sofrimentos e superações. Assim foi a vida da mexicana Frida Kahlo, pintora que se destaca na primeira metade do século 20. Sua trajetória como artista só começou após os 18 anos de idade, depois de sofrer um grave acidente de ônibus que acometeu sua coluna vertebral. Para tornar o processo de recuperação menos doloroso, a jovem decidiu se jogar no mundo dos pincéis. Suas obras foram conceituadas como surrealistas. Porém, Frida negava a classificação, pois segundo ela, não pintava sonhos, mas sim a sua própria realidade.

Sua relevância não veio somente das artes, já que, em 1928, ingressou no partido comunista mexicano e passou a defender o resgate da cultura asteca como forma de oposição ao sistema imperialista. A vida de Frida também foi marcada por algumas polêmicas, como o alcoolismo, aborto e o tumultuado casamento com Diego Rivera. De saúde frágil, a pintora não resistiu a uma pneumonia e faleceu em 1959, aos 47 anos.

 

SIMONE DE BEAUVOIR
Simone foi uma escritora, ativista política e filosofa do movimento existencialista. Simone nasceu na cidade de Paris, em 19808. Vinda de uma família burguesa, dedicou-se inteiramente aos estudos. Conclui sua graduação em filosofia, mesma época que conheceu Jean-Paul Sartre, seu companheiro de relacionamento aberto.

Ao lado do também filósofo, fundou o periódico Les Temps Modernes. A francesa lecionou em diversas instituições entre 1941 e 1943. Sua obra de destaque, O Segundo Sexo, foi lançado em 1949 e atingiu o status de clássico feminista. As publicações de sua autoria (monografias, romances, autobiografias e biografias) possuem temáticas filosóficas, políticas e sociais. Considerada uma das figuras mais influentes do feminismo, Simone ficou conhecida por levantar discussões sobre as mulheres e por romper uma tradição na qual elas eram coadjuvantes.

 

HELEIETH SAFFIOTI
Heleieth foi uma socióloga marxista, escritora, estudiosa da violência de gênero e feminista Brasileira e teve uma enorme contribuição com a causa feminista, de sua infinita capacidade de defender suas ideias. Formou-se em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), mesma época que começou a dedicar em suas pesquisas acadêmicas sobre a figura feminina no Brasil, tema no qual seria sua tese de livre-docência para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (UNESP), intitulada “ A mulher na sociedade de classe: mito e realidade”.

Na ocasião o livro foi um best-seller e constitui até hoje uma referência nos estudos de gênero. Heleieth foi casada com o químico Waldemar Saffioti, autor de diversas obras didáticas, pouco depois da morte do marido, Heleieth doou à Unesp a chácara do casal, em Araraquara, para que se transformasse em espaço cultural.

 

O FEMININO E O FEMINISMO
Se vivemos hoje em uma sociedade na qual a mulher é parte do sistema democrático, possui direito ao voto, à participação política e à educação, saiba que não foram conquistas fáceis e muito menos rápidas. A luta feminina pela igualdade de gênero arrasta-se por séculos como uma forma de resistência à ideologia patriarcal e ferramenta de transformação social.

Em estudos históricos, podemos perceber claramente a posição de inferioridade a qual as mulheres eram submetidas. As funções femininas poderiam ser resumidas à reprodução, aos cuidados com a casa e com os filhos. Desde o momento em que uma menina nascia, sua educação era toda voltada para a execução de um papel social pré – definido, aquele que deveria corresponder às expectativas masculinas.

As garotas eram ensinadas que o mais adequado era que fossem obedientes, primeiro aos pais e depois ao marido. Entretanto, mesmo em contextos de dominação e repressão, sempre existiram figuras femininas que demostraram disposição para mudar a história na qual estavam inseridas.

 

MOVIMENTO DE MULHERES
Temos um movimento de mulheres reivindicando desde o final da década de 70, e a partir desse movimento as mulheres têm pensado políticas públicas. E consequentemente o Estado Brasileiro se viu obrigado a implantar efetivamente políticas públicas no combate da violência, já que o Estado é signatário de vários Tratados Internacionais no combate a violência de gênero.

 

PORQUÊ A COR LILÁS?
A escolha da cor lilás como referência na luta mundial das mulheres por igualdade de direitos não foi por acaso. Algumas versões da história dizem que as operárias de uma fábrica de tecidos de Nova York estavam tingindo esta tonalidade, em 8 de março de 1857, quando foram assassinadas. De acordo com a feminista Sylvia Pankrust, o lilás foi adotado pelas sufragistas inglesas, em 1908, na mobilização pelo direito ao voto. Elas escolheram o lilás que se inspirava na cor da nobreza inglesa, o branco que simbolizava a pureza da luta feminina e o verde a esperança da vitória.

 

MEU CONTATO COM O FEMINISMO
Minha familiaridade com o feminismo começou em 2016 na faculdade e a paixão pelo tema me levou a estudar ás questões relativas ao gênero e a violência nos centros urbanos. Nós jornalistas temos um compromisso de estudar, de se aprofundar, até porque o movimento social colabora muito para apresentação de políticas públicas. Na faculdade me vinculei em um projeto de pesquisa junto com a Socióloga Dra. Grasiela Lima, que resultou no livro “Violência doméstica: poder e potência”.


Ana Paula Toledo é graduada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pelas Faculdades Integradas de Jaú, em 2019. Atualmente é Pós-Graduanda em Direitos humanos e movimentos sociais pela Uninter, em Jaú.
MTB 0058320/SP

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