Aos gritos de “o campeão voltou”, a Acadêmicos da Cartola recebeu o troféu de escola de samba vencedora do Carnaval bauruense, nessa quarta-feira (14), no Centro Cultural.
Com 179.5 pontos, a agremiação levou o 13.º título para casa após dois anos sem vitória. Com 1 décimo atrás, com 179.4, a Mocidade Unida de Vila Falcão conquistou a segunda posição.
Cartola e Mocidade Unida seguiram, desde o início da apuração, no Centro Cultural, com poucos décimos de diferença e com a escola da Vila Falcão na liderança. A virada aconteceu no quesito fantasia – sétimo dos nove avaliados -, quando a Mocidade Unida recebeu sua nota mais baixa, 9.7 e Cartola assumiu a ponta.
A escola de samba Tradição da Zona Leste alcançou o terceiro lugar, com 177.4, e a Coroa Imperial da Grande Cidade, com 176.1, terminou em quarto.
A escola de samba Tradição da Bela Vista foi desclassificada por desfilar com menos integrantes que o número mínimo permitido, 300.
BLOCOS
Já na categoria especial, o campeão dos blocos foi o Pé de Varsa, com 99.2, após empatar com a Estação Primavera (veja a relação completa no quadro ao lado). Neste caso, o critério de desempate adotado pelo regulamento é comparar as notas a partir do quesito enredo. Com nota 10 de ambos os blocos neste quesito, o desempate ficou para o seguinte, samba-enredo, em que Pé de Varsa teve duas notas 10 e Estação Primavera recebeu 9.5 e 10. Lembrando que as agremiações recebem três notas por quesitos e a menor entre elas é descartada.
CAMPEÃS
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Com o enredo “As mãos que trazem à vida, criam, agradecem e fazem o Carnaval”, a Acadêmicos da Cartola foi a primeira escola a pisar na passarela do samba, no desfile de sábado (10), em Bauru, com dez alas e quatro carros alegóricos.
“Não acreditei até a última nota. Mesmo depois de 42 anos, cada Carnaval é como se fosse o nascimento de um filho. Foi muito difícil, mas devo muito ao nosso carnavalesco Claudio Goya. Nas horas difíceis, ele sempre estava para lá com seu jeito calmo e paciente”, comenta o presidente da Cartola, Paulo Madureira.
Além disso, o cartolense atribui a vitória à comunidade e à união de esforços. “Ninguém faz um Carnaval sozinho. O Carnaval é feito de todos, é de quem vive em comunidade. É uma felicidade muito grande”, completa.
A mesma emoção é compartilhada pelo carnavalesco Claudio Goya. “São cinco anos de Carnaval em Bauru, primeira vez campeão. Ano passado não ganhamos por muito pouco, mas a gente trabalhou muito e a alegria é imensa”, comenta.
Já o Pé de Varsa levou ao Sambódromo um tema polêmico e atual: o respeito à diversidade. O bloco foi o quarto a passar pelo Sambódromo de Bauru, na segunda-feira (12).
“Nós tivemos muitos empecilhos, estamos com uma nova diretoria, são meses de trabalho, enfim nossa resposta veio dentro da avenida. É muita emoção. Somos campeões”, afirma o presidente do bloco Pé de Varsa, Carlos Henrique Marciano, o Pelé.
O bloco teve como destaque principal Tiffany Abreu, jogadora do Vôlei Bauru e primeira transexual a atuar na competição mais importante da modalidade no Brasil, com permissão das principais entidades do esporte, que também desfilou pela Cartola.
| Ausência
Neste ano, dois jurados não compareceram aos desfiles. Sendo assim, as notas que seriam atribuídas aos quesitos que competiam a eles, bateria e mestre-sala e porta-bandeira, foram automaticamente descartadas. “Nós tentamos contato de todas as formas e não tivemos sucesso. Também tínhamos um ‘plano B’, pessoas que poderiam substituí-los, o que também não foi possível. Mas acredito que não houve prejuízo maior e que a opção de não considerar a nota foi justa”, afirma o secretário de Cultura, Luiz Fonseca. O presidente da escola Mocidade Unida da Vila Falcão, Jair Fontão Odria discorda e avalia que a falta dos jurados impactou o resultado da escola. “Se os dois jurados tivessem ido ou se, com a ausência deles, fosse decretado que todas as escolas receberiam nota 10, nós não perderíamos o Carnaval”, aponta. “Acho que ganhar e perder fazem parte da disputa. Parabenizo a Cartola, acho que mereceram”, conclui. |
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