Dona Coruja e o pote de sorvete

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Com chuva ou sol, lá estava ela, todos os dias na janela.

Com seu pote de sorvete a observar a bicharada na rua.

O Sapo pulando, suando atrasado para o trabalho.

A Cabra berrando com seu filhote emburrado na porta da escola.

A Galinha brigando com o galo por que o preguiçoso não cacarejou e perderam a hora.

E Dona Coruja seguia calma, batendo a colher no pote de sorvete cantarolando e balançando a cabeça.

A Vaca então abismada com tanta calmaria parou e perguntou:

– Coruja, com tanta correia aqui fora, como mantém a calma aí dentro?

– Oh minha cara Vaca, é só ver o lado bom de tudo. O Sapo se não pulasse tanto não chegaria suado no trabalho, já estava atrasado mesmo.

– A Cabra já conhece a ranhetice do filhote, seria mais fácil conversar do que berrar.

– A Galinha desesperada acorda antes do dia amanhecer, antes do Galo, e o pobre que é o culpado.

– Amiga, tudo tem um ponto de vista. Se em todos os momentos ruins nós ficarmos loucos, seremos loucos sempre.

– Mas Coruja e esse pote de sorvete? Ajuda?

– Humm, se não ajuda é geladinho, docinho e agora vou tomar. Não deixo faltar. Se me deixa calma não sei, mesmo assim com ele vou acabar!

Juh Hunzicker, 43 anos, bauruense, escritora por paixão.

@srtahunzicker

@juhhunzicker

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