Dólar nervoso

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O mercado precifica o valor do dólar na casa dos R$ 4,10, porém, sua cotação atual está muito acima deste patamar. Além disso, seu comportamento evidencia que está havendo um descolamento em relação à Bolsa de Valores. No passado recente, quase existia uma correlação entre os dois: Bolsa apresentava queda, o dólar apresentava alta, e vice-versa. Agora, nem sempre é assim. Então, o que está ocorrendo?

Conjunto da obra

O Brasil adota o sistema de câmbio flutuante, isso quer dizer que é o jogo de oferta e procura pela moeda estrangeira que define seu valor. Quanto mais dólares são ofertados, menor a cotação. O sentido contrário também é verdadeiro. O Banco Central intervém, ampliando ou reduzindo a oferta de dólares (físico ou papéis atrelados ao dólar), quando há um desarranjo no câmbio, mas a ideia é interferir pouco. Na prática, a cotação atual está elevada devido a uma somatória de fatores. Vamos analisar o conjunto da obra.

Os principais pontos

A primeira realidade é que a economia norte-americana está aquecida, portanto, sua moeda, o dólar, tem se valorizado quase que no mundo todo. O segundo fator está ligado ao comportamento da economia brasileira, que ainda não se apresenta como um porto seguro aos investidores estrangeiros. O saldo da balança comercial ainda é positivo, mas não em queda, outro fator a ser considerado à medida em que há ingresso menor de dólares no Brasil. Há ainda reformas pendentes, como são os casos da reforma administrativa e da reforma tributária. E o outro fator que é, sem dúvida, a grande mudança na matriz econômica brasileira. O atual governo reduziu a taxa de juros, tanto nominal, como real.

Juros menores

No passado, o capital estrangeiro levava para seu País de origem bons resultados quando aplicavam seus recursos aqui no Brasil. Ganhavam o equivalente a quatro e até cinco de anos ao que conseguiriam em Países desenvolvidos. Agora a coisa mudou. A taxa nominal para compra de títulos públicos está em 4,25% ao ano, o que indica uma taxa de juros acima da inflação, a taxa real, de no máximo um ponto percentual. Por este ganho, o apetite dos investidores estrangeiros reduziu. Menor oferta de dólares no mercado, aumento em sua cotação.

Pontos positivos e pontos negativos

Dólar com cotação mais elevada favorece as exportações. Força ainda investimentos em substituição de importações, portanto, pode levar, ao longo do tempo, à menor dependência de importação de equipamentos e insumos. Por outro lado, as importações ficam mais caras em reais, além disso, há uma série de produtos que seguem a cotação internacional, portanto, os preços internos podem ser majorados, ou seja, gerar inflação. Somente com o passar do tempo é que saberemos se o ponto de equilíbrio ficará mais próximo dos R$ 4,10 ou se o mercado encontrará novo piso para cotação, acima deste valor.

Mude já, mude para melhor!

Já escrevi isso uma vez, mas vale relembrar: para que sua estrela brilhe, não é preciso apagar outra estrela, afinal o céu é bonito com todas as constelações. Vale a reflexão. Mude já, mude para melhor!

Fonte: https://www.jcnet.com.br/opiniao/colunistas/reinaldo_cafeo/2020/02/714406-dolar-nervoso.html#.XknNpoGmgFw.whatsapp

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