Crianças ”problema”

0
791

Não é de hoje que ouvimos dizer em toda sociedade, sobre os filhos dos amigos, vizinhos, ou parentes que tem filhos “problema”.

Trabalho com crianças há alguns bons anos e em cada momento da vida parti de uma percepção  diferente. E percebo que uma coisa, nunca se modificou, a importância da família!

A família é a base, é o alicerce, é onde aprende-se regras básicas de higiene, convívio, educação, respeito e amor. Na escola as crianças aperfeiçoam esses e outros pontos importantes da vida diária, mas o foco é a aprendizagem e a aquisição de conhecimentos e conteúdos escolares.

Porém com o mundo e a rotina cada vez mais corridos, as crianças ficam menos tempo em casa e com seus pais. Muitas aos 6 meses já estão na creche, e essa se encarrega de educá-la juntamente com a família.

E a partir de agora como psicóloga voltada a sustentabilidade emocional, quero te propor uma reflexão.

Você já se deparou com uma criança fazendo birra, malcriação, e até mesmo sendo agressiva com alguém? E quando esse comportamento é com os pais?

O que te veio à cabeça no mesmo instante?

Libere-se de julgamento.

Você já pensou que essa criança pode ter transtornos psicológicos que influenciem diretamente no comportamento da criança?

Já pensou que essa criança pode estar com problemas na dinâmica familiar?

O conceito de família, a constituição familiar, a dinâmica e papéis mudou bastante.

E é essa dinâmica que diz respeito à educação que a família dá e em como pais e filhos se relacionam. Ela é importante para que se estabeleça um ambiente familiar saudável e equilibrado. Sem esquecer que a qualidade é mais importante que a quantidade, e carinho vale mais que brinquedo.

 

Quando nos deparamos com criança que não respeita regras e não obedece aos adultos, a criança em questão é criticada e julgada pela escola, por vizinhos e amigos da família. Quando chega a um consultório de psicologia, só se fala no comportamento ruim dela.

E a tarefa inicial de nós psicólogos é ouvir essa família.

 

Muitas vezes é possível observar que a criança não é “o problema” é apenas o reflexo da família, um sintoma da dinâmica familiar.

A dinâmica é bem simples, se algo não vai bem, ela com certeza será a mais atingida, a que mais manifestará sintomas de que há algo errado.

Mas, antes que comecem as acusações entre os pais é importante entender que não existe apenas um “culpado”, mas sim todo um conjunto de fatores que resultam nesse comportamento.

Mudanças então são fundamentais, alterações na rotina adequações necessárias que podem inclusive privar os pais de algumas rotinas que seguem a muito tempo e que não pretendiam abandonar.

Muitos tendem a querer um diagnóstico, porque assim acreditam ser mais fácil, uma vez que lidar com fracasso é frustrante e inaceitável para algumas pessoas, o diagnóstico infelizmente nem sempre é feito da maneira mais correta e responsável. E através dele vem toda a carga de rótulos que essa criança terá que carregar para toda a vida, fora as medicações exageradamente receitadas.

Não sou contra diagnósticos nem medicação, acredito que em alguns casos não sejam necessariamente a solução.

Mesmo dentro de um diagnóstico acredito que, as crianças podem e devem ter suas capacidades exploradas e valorizadas pela família e os rótulos devem ser evitados.

Crianças seja ela típica ou com algum transtorno, precisa de regras, combinados devem ser usados em casa assim como em sala de aula.

Os combinados funcionam muito bem, e podem ser montados de acordo com a rotina de cada um, desde tarefas até comportamentos combinados (daí o nome) entre os membros da família.

Vale ressaltar que esses combinados devem ser claros e únicos para evitar que a criança tenda a não os respeitar mais ou até mesmo usá-los a seu favor.

 

Se não está funcionando, precisa de ajustes, é preciso empenho de toda a família principalmente quando nesta há indivíduos que também precisam de psicoterapia e não o fazem.

Olhemos a partir de agora nossas crianças com um olhar, mais sereno, justo e acolhedor, tirem-lhes a culpa e o peso de existirem e não atenderem às suas expectativas. Esse é o primeiro passo para o caminho saudável que vocês tanto desejam.

 

Marina Terraz Pinto- Psicóloga CRP 0672729

Deixe uma resposta