Crescimento da Covid-19 em Bauru é 3 vezes menor do que o projetado

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Renata Arcelis, Gazzetta e Sérgio Antonio, em transmissão ao vivo / Foto: Facebook/Reprodução

Respeito ao isolamento social é responsável por diminuir curva de casos estimados, afirma o prefeito Clodoaldo Gazzetta

A evolução dos casos suspeitos de coronavírus (Covid-19), em Bauru, registrou curva três vezes menor do que a projetada inicialmente pela Prefeitura Municipal. No início do quadro epidêmico, as autoridades estimaram que a cidade poderia registrar até 80 mil infectados e 480 mortes até o fim da epidemia, que poderia se estender até agosto se a curva fosse alta. Nesta terça-feira (31), o prefeito Clodoaldo Gazzetta comparou os 132 casos suspeitos, registrados de 13 de março até agora, com o mesmo período da projeção (veja o quadro ao lado).

A projeção do Comitê de Enfrentamento para esse intervalo era de aproximadamente 450 registros, ou seja, três vezes mais do que o índice atual. O resultado demonstra baixa curva de contaminação, mesmo se houver a confirmação para todas as suspeitas. O efeito é atribuído ao isolamento social, segundo o prefeito, que pede a continuidade da medida pela população.

“É um gráfico que serve como balizador de ações. Se a curva aumentar, as restrições crescem. Faremos essa avaliação semanalmente”, explica Gazzetta, ressaltando que o fechamento e as restrições no comércio e serviços seguem até dia 7 de abril. “Nada muda até este dia, quando faremos a reavaliação. Se o governo do Estado prorrogar a quarentena, podemos seguir, mas também podemos flexibilizar. Tudo dependerá da curva. Por isso, a importância em continuar respeitando o isolamento”, acrescenta o chefe do Executivo.

FÔLEGO

Ele explica que, antes das medidas de isolamento, a epidemia era pensada dentro de um período de 4 meses, com rápida explosão de casos, em razão do potencial de contaminação da doença. Isso faria com que o sistema público de saúde não aguentasse.

Com o achatamento do indicador epidêmico, neste momento, as autoridades ganham fôlego para preparar melhor os hospitais. “Não sabemos quando a epidemia terminará. Ela pode seguir até o ano que vem. Só que, com a curva achatada, o sistema de saúde aguenta”, frisa o prefeito.

A comparação foi mostrada por Gazzetta em transmissão ao vivo realizada na página da prefeitura, no Facebook. A veiculação contou com a participação do secretário municipal de Saúde, Sérgio Henrique Antonio, da pediatra especializada em infectologia Renata Arcelis e da secretária do Planejamento, Letícia Kirchner, que falou por alguns minutos para esclarecer dúvidas ao comércio.

NOVOS CASOS

Novo boletim epidemiológico, emitido na noite desta terça (31), indica que Bauru registrou mais dois casos suspeitos de Covid-19, chegando ao total de 132. Não há novas mortes em investigação, além das oito já noticiadas. Também não chegaram novas confirmações da doença, fora as duas especificadas em reportagem publicada pelo JC nesta terça (31).

No final de semana, quando caiu o ritmo de casos da doença em Bauru, que vinha registrando mais de dez novas suspeitas por dia, cogitou-se que a prefeitura pudesse ter alterado o critério de notificação, informando apenas casos mais graves em boletim epidemiológico, por recomendação do Estado.

A informação foi rebatida pelo secretário de Saúde, Sérgio Antonio. Ele ressalta que nada mudou e que todos os casos suspeitos são incluídos no boletim diário, independentemente da gravidade.

O que define um paciente com coronavírus como caso grave?

Nesta terça-feira (31), surgiram questionamentos sobre o que é considerado estado grave nos pacientes internados com Covid-19 ou mesmo naqueles com a suspeita da doença.

Médico, o secretário municipal de Saúde, Sérgio Henrique Antonio, esclarece que o que tem definido um caso como grave é a necessidade de estabilização e de entubação, em razão da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). “Os casos são definidos como graves, geralmente, de acordo com o nível de saturação do paciente. Isto é, quando há baixa oxigenação nos pulmões, sinais de fadiga e a ventilação mecânica é necessária para dar suporte ao tratamento”, cita.

Nesses casos, a gravidade passa a ser diferenciada por meio dos quadros estáveis, quando há estabilidade hemodinâmica, ou instáveis, quando a situação é mais crítica e o paciente depende de níveis mais altos de drogas. Em ambos as situações, o enfermo pode apresentar melhora e evolução do quatro.

No Brasil, a média de internação na rede pública tem sido de oito dias, segundo o Ministério da Saúde. Na maioria dos casos, a respiração artificial ajuda os pacientes a se recuperar.

Há, ainda, casos de internação em que a pessoa apresenta quadro de Srag com falta de ar, entre outros sintomas, como febre alta, mas não necessita da ventilação mecânica. Este paciente precisa apenas de auxílios, como cateter nasal ou máscara de oxigênio.

E OS LEVES?

Casos leves de Covid-19 são aqueles que o paciente apresenta apenas síndrome gripal e é liberado a ir para casa, sem a necessidade de internação. Existem também os casos assintomáticos da doença.

Exames e testes

O prefeito Clodoaldo Gazzetta diz que a cidade pode ter novidades nesta quarta-feira (1) em relação às tratativas para adquirir exames laboratoriais na rede particular, com objetivo de diminuir a demanda represada. A prefeitura busca, com um laboratório credenciado de Belo Horizonte, a aquisição de exames PCR em tempo real. Esses testes, feitos pela secreção da laringe do paciente, identificam a presença do vírus logo no início dos sintomas (a partir do terceiro dia). Também na busca por estes exames, Sérgio Antonio vai a Botucatu hoje para ver a possibilidade de uma parceria com a Unesp.

Por fim, a prefeitura volta a estudar a aquisição de testes rápidos, no qual é feita a testagem de pacientes sintomáticos (após o oitavo dia de sintomas) por meio de um furo no dedo. O resultado sai em uma hora.

Fonte: https://www.jcnet.com.br/noticias/geral/2020/03/719461-crescimento-da-covid-19-em-bauru-e-3-vezes-menor-do-que-o-projetado.html

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