Altas de gás, energia e combustível criam ‘inflação sem fim’ a famílias

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Conter gastos em casa Daniele dos Santos Rodrigues com os filhos João Pedro e João Felipe ( está no côlo dela)

Mãe de dois filhos, a dona de casa Daniele dos Santos Rodrigues, 26 anos, reduziu o número de passeios com a família e tem concentrado as idas ao supermercado em uma vez na semana. As medidas foram adotadas para conter gastos, após as sucessivas elevações de preços de combustíveis, energia elétrica e do gás de cozinha.

Como ao menos dois destes itens são básicos para a manutenção dos lares, as famílias de baixa renda têm sido as mais penalizadas com a alta, conforme explica o economista Reinaldo Cafeo. “A base de consumo delas é muito alicerçada na manutenção de suas necessidades básicas, então, quando o botijão de gás, a conta energia sobem, o impacto no orçamento é maior, ainda que, na visão macroeconômica, a inflação continue comportada”, pondera.

Mas prejuízos também são sentidos por comerciantes que trabalham no ramo e optam por reduzir margens de lucro para lidar com a concorrência, quando conseguem absorver o aumento dos preços. A família de Daniele sabe bem como esta dinâmica funciona.

Como o marido dela trabalha com venda de salgados e viaja por toda a região de Bauru, precisou repassar os custos com combustível para o consumidor final.

“O gasto é muito alto mas, para compensar, também tentamos reduzir, de todas as maneiras, as despesas dentro de casa. Tenho, por exemplo, dado banhos mais rápidos nas crianças”, comenta a dona de casa.

Douglas Reis/JC Imagens                    Quioshi Goto/JC Imagens
Cafeo explica por que alguns sentem mais e Reghine (à dir.) fala sobre a alta dos combustíveis

Um revendedor de gás de cozinha, que preferiu não se identificar, enfrenta dificuldades semelhantes. Ele conta que, de junho até agora, o preço do botijão aumentou em R$ 15,00, o que tem espantado a clientela.

MARGEM DE LUCRO

Na cidade, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), a unidade de 13 quilos era vendida até a semana passada por R$ 64,38, em média, podendo chegar a R$ 72,00. Desde as vésperas da posse do presidente Michel Temer até agora, ainda de acordo com a ANP, o produto nas refinarias subiu 66%.

“Para sobreviver, é preciso negociar o preço caso a caso, abrir mão de margem de lucro, para não perder cliente”, reclama o revendedor de Bauru. A queda de movimento também tem sido registrada em postos de combustíveis, de acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) de Bauru.

Somente nos últimos dois meses, os reajustes da Petrobras para a gasolina acumulam 19,6%. Até a semana passada, levantamento da ANP apontava preço médio na cidade de R$ 3,73, o litro.

“São aumentos consecutivos, que têm afetado tremendamente o revendedor (o proprietário de posto). O custo médio da gasolina para ele já está em R$ 3,60 e todos estão trabalhando com margem de lucro muito pequena. O consumidor também não consegue absorver os repasses e, com isso, as vendas estão caindo. E não é pouco, não”, observa o vice-presidente regional do sindicato José Antônio Reghine.

Como consequência, em razão da necessidade de equilíbrio da oferta de etanol no mercado, o preço do biocombustível também vem seguindo a mesma tendência, sendo comercializado em Bauru a uma média de R$ 2,53, o litro, até a semana passada.

Motivos 

As altas da gasolina e do gás vieram com a mudança da política de preços adotada pelo presidente Michel Temer no último ano. Até então, as gestões petistas vinham optando pelo congelamento de preços como mecanismo de controle da inflação.

Agora, os reajustes têm se alinhado às cotações do mercado internacional. A Petrobras afirma, ainda, que também pesaram a passagem do furacão Harvey pelos Estados Unidos, a redução dos estoques globais de petróleo e questões geopolíticas.

Como consequência, o gás de cozinha foi o terceiro fator que mais pressionou o Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), da Fundação Getulio Vargas (FGV), em outubro. A alta – no indicador que mede a inflação das famílias que ganham entre R$ 937,00 e R$ 2.342,00 – foi de 3,93% na comparação com setembro.

A conta de energia, a principal responsável pela alta da inflação para este grupo populacional, subiu 4,16%, motivada pela baixa vazão das hidrelétricas, que levou à necessidade de operar mais usinas térmicas, cujo custo de produção da energia é mais elevado.

Fonte: jcnet.com.br –  https://m.jcnet.com.br/Economia/2017/11/altas-de-gas-energia-e-combustivel-criam-inflacao-sem-fim-a-familias.html?utm_source=Whatsapp&utm_medium=referral&utm_campaign=Share-Whatsapp

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