A culpa não é dos videogames

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Por O Globo

O massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, não apenas importou um tipo de ataque que é muito mais comum nos Estados Unidos. Também faz surgir aqui uma acusação feita com frequência entre os americanos: a culpa é dos videogames.

“Vemos essa garotada viciada em videogames violentos. Tenho netos e os vejo muitas vezes mergulhados nisso aí”, disse o vice-presidente, Hamilton Mourão, depois da tragédia.

Culpar os videogames pela violência é uma resposta rápida, que surge sempre que é revelado que o autor de algum ataque gostava de jogos violentos. Dave Grossman, que talvez tenha inspirado a opinião de Mourão, é o autor de “Matar: um estudo sobre o ato de matar”, publicado no Brasil pela Biblioteca do Exército, e chama os videogames de “simuladores de assassinatos”.

Grossman, que é coronel do Exército americano, diz que, do ponto de vista de um militar ou de um agente da lei, os games treinam garotos para matar, fornecendo respostas automáticas e fazendo com que se tornem insensíveis ao tirar a vida de alguém. Mas, na verdade, não existe essa ligação entre os jogos e a violência adolescente, comprovou um estudo da Universidade de Oxford divulgado em fevereiro.

O trabalho, conduzido por Andrew K. Przybylski e Netta Weinstein, é apontado como o estudo mais abrangente sobre o assunto, combinando análise objetiva e subjetiva. Em um passo além dos estudos anteriores, que se baseavam apenas no relato dos jovens, os pesquisadores também usam informação dos pais para julgar o nível de agressividade dos filhos.

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/a-culpa-nao-dos-videogames-23530635?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

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