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POLICIAMENTO ORIENTADO COMO ESTRATÉGIA DE PREVENÇÃO CRIMINAL

Nilson César Pereira

Coronel de Policia Militar

Comandante do Policiamento do Interior-4 (região de Bauru)

A dinâmica da sociedade moderna impõe ao contexto social desafios que são cotidianamente enfrentados pelos cidadãos, os quais invariavelmente acabam esbarrando nas questões ligadas a segurança pública.

Segurança pública (criminalidade e o tráfico de drogas) que é vista como o segundo maior problema do Brasil, apontado por 53% dos brasileiros entrevistados na pesquisa Atlas Intel/Bloomberg divulgada no mês de março de 2026, perdendo apenas para a corrupção que é apontada por 59% dos brasileiros como a maior preocupação.

Para fazer frente aos desafios relacionados à segurança pública, em especial a redução dos indicadores criminais e principalmente o aumento da percepção de segurança, faz-se necessário a adoção de estratégias eficazes de solução de problemas, dentre as quais se destaca o policiamento orientado.

A Polícia Militar do Estado de São Paulo estrutura o emprego do seu efetivo operacional por meio do Plano de Policiamento Inteligente (PPI) que nada mais é que um conjunto de ações desenvolvidas para a obtenção do conhecimento armazenado nos bancos de dados dos sistemas inteligentes e de outras fontes disponíveis (denúncias, contatos comunitários, reuniões, etc), visando identificar, delimitar e mapear áreas de interesse de segurança pública (AISP) e suas características (qualitativas e quantitativas), cujos dados são utilizados para a produção dos Cartões de Prioridade de Patrulhamento (CPP), que tem o objetivo de direcionar, de forma técnica, a realização do policiamento ostensivo pelas viaturas policiais-militares nas cidades.

Na prática significa diagnosticar e resolver problemas que aumentam os riscos de criminalidade, geralmente em áreas que apresentam níveis relativamente altos de crime (hot spots). Essa é uma tarefa desafiadora, pois é preciso verificar e resolver uma ampla variedade de problemas que podem estar causando crimes, não se limitando a simples prisão de infratores da lei.

Basicamente busca-se identificar fatores e circunstâncias que podem potencializam os riscos da ocorrência de delitos, dentre os quais se destacam:

– Fatores ambientais: ambientes ermos, abandonados ou degradados, sem trânsito regular de pessoas ou com iluminação pública deficiente, áreas de transição mal projetadas que favorecem rotas de fuga ou bloqueiam a visibilidade, locais com maior propensão para a prática de ilícitos, com a permanência de usuários de drogas;

– Fatores comportamentais: distrações, exposição de objetos de valor econômico, rotas e horários previsíveis, uso de substâncias redutoras da capacidade de discernimento e reação;

– Fatores socioeconômicos: desigualdade social, desemprego ou subemprego, baixa escolaridade e falta de oportunidades.

Também é preciso realizar um diagnóstico objetivo da realidade social, que apesar de ser percebido pelos gestores de polícia, que normalmente também estão inseridos nas comunidades, também demanda a realização de contatos, o recebimento de informações e denúncias proveniente da comunidade, a avaliação dos principais fatores de preocupação das pessoas, normalmente divulgados pelos órgãos de imprensa, os quais irão garantir fidedignidade ao planejamento operacional realizado.

O desafio é planejar a atuação preventiva e repressiva imediata da Polícia Militar de modo a fazer frente às vulnerabilidades identificadas, designando horários, locais e estratégias de atuação para as patrulhas policiais, que possam de forma objetiva, fazer frente às demandas sociais e criminais, reduzindo ao máximo a ocorrência de delitos e ao mesmo tempo representando o aumento da percepção de segurança, por meio da presença policial.

Em resumo, o objetivo do policiamento orientado é minimizar as circunstâncias ambientais e comportamentais que facilitam a ocorrência de crimes e desenvolver ações que diminuam a motivação do criminoso e a vulnerabilidade das vítimas, aumentando a percepção de segurança da população.

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