Manifesto: MONDELLI – UMA FAMÍLIA BAURUENSE INJUSTIÇADA

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por Jose Mondelli, empresário e ex sócio do Grupo Mondelli.

Amigos que conhecem um pouco da minha história, e a do meu pai, constantemente me perguntam como a empresa Mondelli Indústria de Alimentos chegou ao ponto de ser leiloada, ou seja, de ser retirada do seio da minha família. Sempre me perguntam: como isto pode ter acontecido? A resposta não é simples! Mas podemos dizer que o leilão foi a ferramenta que o administrador judicial se valeu para retirar a empresa da família, pessoa esta que contaminou todo o processo de recuperação judicial.

O leilão foi manifestamente injusto com toda nossa história de trabalho a qual gerou grande volume de empregos desde a década de 50. Esse leilão ocorreu quando a empresa tinha 75 milhões de ativo circulante, acrescido de R$ 33 milhões de reais da venda da Fazenda Santo Antônio. O caminho natural da falência da empresa era a HAPI COMÉRCIO DE CARNE continuar na gestão do frigorífico, dando início ao pagamento dos credores de acordo com a preferência de cada crédito.

O juízo da vara falimentar optou pelo caminho que retira a empresa da família Mondelli, que é justamente o leilão; quando poderia ter optado pelo caminho de iniciar o pagamento dos credores, já que tinha em caixa mais de 75 milhões de reais, acrescido da soma de 33 milhões de reais da Fazenda Santo Antônio. Ambas as possibilidades eram possíveis, e a opção de privilegiar a história e o trabalho de 80 anos da minha família foi negada, e repita-se: justamente pela presença do administrador judicial Fernando José Ramos Borges.

O administrador judicial Fernando José Ramos Borges foi o grande responsável pelo leilão da nossa empresa. Aliás, 2 (dois) meses antes de ser nomeado administrador judicial esteve na sede da empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS oferecendo o seu serviço de recuperação judicial, fato este que causou uma “briga” entre o administrador judicial e meu irmão Antônio Mondelli, que não aceitou sua oferta, por orientação dos advogados da nossa empresa; isto porque os advogados tinham, antes, indicado uma outra firma especializada para essa tarefa, a KPMG , a qual foi contratada pelo Antônio.

Após o processamento da recuperação judicial, o administrador Fernando Borges passou a perseguir meu sobrinho, gestor da empresa quando estava em recuperação, afirmando que iria levar o frigorífico para a falência, que iria dar o regime da continuidade negocial, leiloar a casa , apartamentos e fazendas dos meus irmãos e sarcasticamente afirmava que todos iriam criar galinhas.

Posteriormente a este incidente, o mesmo administrador judicial provocou uma audiência no fórum de Bauru, onde não pudemos levar advogado, conforme determinado arbitrariamente pelo administrador judicial Fernando Borges. Nesta reunião fomos instados pelo administrador judicial, na presença da magistrada e do promotor a vender a nossa empresa, através das expressões ‘’casar o Mondelli com uma noiva’’. Fomos constrangidos por diversas vezes a vender tudo, na presença de um juiz de direito e um promotor de justiça e, sem qualquer advogado, pois repita-se: Fernando Borges afirmou claramente que não poderia levar advogado.

Logo após este incidente, o administrador judicial criou um relatório falso e fantasioso que havia irregularidades no frigorífico. Este fato provocou o afastamento da família Mondelli da gestão em um instante sem nenhum direito de defesa. Porém, o mais surreal é que o inquérito concluiu que não houve qualquer irregularidade por parte da gestão e mesmo assim, não tivemos o direito de retornar ao frigorífico. Nunca mais tivemos oportunidade e direito de pisar lá dentro.

Após este episódio, o administrador judicial fez um novo relatório, com fatos ocorridos nos anos de 2005 a 2010, imputando também a conduta de outros administradores, meus irmãos já falecidos, e para a minha pessoa e dos meus irmãos (atuais sócios). Em razão desses fatos foi declarada a falência. E frise-se: mesmo tendo o Tribunal de Justiça determinado que fosse feita nova Assembleia de credores para efetivar pagamentos devidos.

Observa-se que nunca houve vontade por parte do Poder Judiciário e do Ministério Público de permitir que a empresa continuasse nas mãos da família Mondelli. O que se verifica é que fizeram de tudo para retirar a empresa de nós. Podemos afirmar que isto é verdadeiro, pois o administrador judicial Fernando Borges afirmou perante nós (irmãos Mondelli), perante a Juíza de Direito do caso e do Promotor de Justiça Libório do Nascimento que havia trabalhado no caso Pérsico Pizzamiglio. Este caso é de uma empresa que devia QUINHENTOS MILHÕES DE REAIS e que tinha apenas R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais em caixa), estava falida e parada há mais de 2 (dois) anos. E mesmo assim o administrador judicial tinha conseguido retirar a empresa da falência.
Porém, com o Mondelli Indústria de Alimentos, o administrador judicial fez o contrário! A empresa Mondelli tinha 75 milhões de reais de ativo circulante, mais 33 milhões de reais da venda da Fazenda Santo Antônio; devia R$ 55.000.000,00 e mesmo assim, teve a sua única sede industrial leiloada. Portanto, quando interessa ao administrador judicial, este retira a empresa da falência mesmo não tendo dinheiro, da mesma forma que se interessar ao administrador, este persegue até o fim o leilão da mesma.

Cumpre ainda salientar que a nobre juíza de direito fixou R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) de valor mensal para o administrador judicial, desde a decretação da falência. Este valor ultrapassa o patamar de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), e não tem data para terminar de receber mais dinheiro.

Por final, Fernando José Ramos Borges, jamais poderia ter assumido o encargo pois além de ser inimigo declarado do meu irmão Antônio Mondelli, ainda tem certidão criminal positiva, o que lhe retira a idoneidade, estando impedido de atuar por força do art. 21 da Lei n. 11.101/05.

Assim , fomos expropriados por um conjunto de forças contrarias ( Pt, MST ,administrador judicial ,fiscais na era petista )e não tivemos na época apoio de ninguém, deputados e/ou prefeitos junto ao BNDES ou outros Bancos oficiais que só ajudaram o JBS a arrebentar com os Frigoríficos de médio porte e se tornar o monopólio que todo Brasil conhece.
O administrador judicial ao invés de ajudar a empresa que administrava, desde o primeiro minuto de sua nomeação, fez tudo para vender, expropriar ,ou falir o Frigorifico Mondelli (empresa que mais recolhe impostos federais e estaduais no município) e leiloar nossas fazendas .Desrespeitando 80 anos de trabalhos de uma família bauruense e ele induziu a todos, de forma parcial e vingativa ,a se posicionarem contra nós .
Transcrevo a opinião de um produtor rural de nossa região Carlos Eduardo Padilha:

“Lamento profundamente o modo lesivo e devastador como foi tratada a família Mondelli”

Quem sabe um dia a historia fará justiça à nós e aos nossos dedicados representantes, Drs. Ageu e Alex Libonati cujos recursos, agravos e defesas ,foram sempre preteridos pelos “representantes” da justiça. Tenho certeza que toda população de Bauru, funcionários, ex fornecedores, ex compradores do país e do exterior, entidades sociais são solidários à nossa família e reconhecem a injusta justiça que armaram contra nós!
Esta minha manifestação, a primeira depois do ocorrido, era necessária para que fique devidamente esclarecido o que houve com a nossa querida empresa familiar, uma jóia tradicional de Bauru. Felizmente, não foram bauruenses que nos prejudicaram… eles sempre acompanharam a nossa trajetória.

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