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Contas podem até triplicar em janeiro

Passadas todas as festas e emendas de feriados, muitos consideram a semana que começou como a “primeira” do ano. E, agora, começam a ligar o alerta à pressão no orçamento familiar neste início de ano. Na ponta do lápis, as contas podem triplicar em janeiro. Assim, quem não fez planejamento terá muita dificuldade em iniciar 2019 sem dívidas. O pagamento de impostos, como IPVA para quem tem veículo e IPTU para quem tem imóvel nas cidades vizinhas a Bauru, é justamente em janeiro. Além disso, quem tem filhos sabe do sacrifício extra para adquirir material escolar.

E não é só. O “abacaxi” financeiro azeda ainda mais para quem não segurou a onda durante o Natal e na festa – ou viagem – da Virada. É que não são poucos os que, apesar da crise econômica e do desemprego, perdem o controle nos gastos com festança, roupas, presentes e passeios. E como cartão de crédito não tem coração, mas código de barras, a fatura vem ainda mais pesada.

PLANEJAMENTO

Para quem “enfiou o pé na jaca”, o jeito agora é respirar, atualizar a caderneta e, de forma prática e objetiva, planejar o pagamento ao longo do ano. Aqueles que já estavam endividados e celebraram a Virada “virado” com os carnês e os juros de cheque especial e cartão de crédito, o único remédio é fazer reeducação financeira urgente. Afinal, ficar vermelho de raiva não vai mudar a cor negativa na conta bancária.

E se você acha que está sozinho nessa onda, engana-se. Levantamento da ONG Bem Gasto, realizado a pedido do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ com cinco famílias de diferentes perfis sociais na Grande São Paulo, mostra o peso do começo do ano no bolso do brasileiro.

Segundo os especialistas, quem tem cultura de educação financeira aproveitou os dias de folga das festas para preparar um raio-X de todas as despesas que costumam ser pagas no começo de cada ano. Se você conversar com um educador financeiro, ele certamente vai recomendar “planejamento das receitas e despesas como rotina, como tomar banho”.

Se você bater um papo com um economista para desabafar sobre suas faturas, ele vai apontar: “é necessário alongar o perfil da dívida, atualizar a lista de despesas fixas imprescindíveis e verificar, uma a uma, onde tem ‘gordura’ pra cortar nas despesas”.

Trocando em miúdos, “alongar a dívida” significa renegociar, urgentemente, todas as contas. Para quem está em situação delicada, com valor a pagar bem acima do que ganha, a educadora financeira Giorgia Ceschini, por exemplo, orienta buscar renegociação. “É prioridade que este cidadão busque opções de refinanciar tudo o que deve com prazo mais longo e cujo valor da prestação caiba na sua condição de pagar ao longo do tempo. O segundo passo é sentar, de preferência com todos da família, fazer a lista de despesas, todas elas, as fixas e as eventuais como viagem, e refazer a listagem identificando onde, o que e como cortar. Não tem milagre. Quem perdeu o controle terá de fazer sacrifício para se reequilibrar”, opina.

ORIENTAÇÃO

Quem estourou tem de revisar as contas. Quem abusou só no final do ano, terá a tarefa de recompor a “saúde financeira” mais facilitada. “Como muitos não têm a cultura de educação financeira, o jeito é começar com hábitos simples, mas que funcionam. Põe tudo o que deve no papel, inclusive para os meses sequentes, para identificar os parcelamentos com viagem, compra de roupa, presentes. Se o problema estiver na família, todos devem sentar, fazer a lista de despesas e receitas e discutir onde cortar. É possível reduzir até 30%, porque os excessos terão de cair. Mas isso exige esforço, abrir mão de alguns prazeres que o consumismo trouxe”, adverte Ceschini.

É preciso “preparar o espírito”, aprender a racionalizar. “Comer fora, passear, revisar se a quantidade e o tipo de comida que estão comprando é realmente o que precisa. Quem tem contas a pagar e não consegue se adequar tem dificuldades comuns: falta educação financeira, muitos não têm controle sobre a decisão de comprar, consumir e há dificuldade em mudar o padrão de vida para a realidade. Se você ganha R$ 1.000,00, é evidente que não pode gastar como se a receita fosse R$ 2.000,00”, aborda a educadora financeira.

PARA EMPRESÁRIOS

E para o mundo empresarial, Giorgia Ceschini tem também uma sugestão: “Empresários, mudem a mentalidade e invistam em cursos de educação financeira e planejamento de gastos para seus funcionários. O funcionário que trabalha sem esse problema em casa produz mais. Veja esse tipo de ação de recursos humanos como investimento corporativo”, sugere.

Neste janeiro, se refaz mais do que nunca o trocadilho pronto: o problema não é a conta, mas não dar conta do quanto se gasta.

O QUE CORTARO economista Reinaldo Cafeo retoma que o desafio é fazer o dinheiro chegar ao fim do mês. Então, até alcançar o comportamento ideal com educação financeira, algumas dicas de observação na hora de comprar já ajudam.”Leve sempre a lista nas compras do que você realmente precisa, checando em casa o que você não tem mais. Se puder, não leve crianças ao supermercado. Elas costumam pedir”, indica Cafeo.Outra dica é não ir com fome ao mercado: isso estimula você a comprar mais. “Pesquise os preços. Tenha o hábito de ter as anotações prévias, checando nos sites os valores do que precisa comprar. Cuidado! Hoje não há necessidade de estocar mais. A inflação está em nível baixo, estável. E aproveite para se livrar do freezer antigo. Ele vai economizar uns R$ 300,00 na conta mensal de energia. O freezer era bom quando tinha inflação, o que exigia estoque para evitar perdas no poder de compra”, acrescenta o economista. Em transporte, Cafeo sugere o uso de aplicativos, como o Uber, para as situações em que manter o “segundo carro” não é prioritário. “Vale a pena fazer conta se manter o gasto com manutenção, IPVA, seguro e combustível compensa de fato para o tipo de uso para as famílias que contam com dois carros”, adverte.Na farmácia, cuidado para não levar produtos que não sejam o remédio. “Fralda, desodorante, creme, shampoo… compre se precisar”, diz. Rever o plano do telefone celular e da conta de Internet e/ou TV a cabo também pode gerar redução de despesa. “Se você identificar uma promoção para clientes novos, ligue para a operadora e exija que esse preço mais vantajoso seja estendido para você, que é cliente mais antigo. Tem norma garantindo isso. Mas as pessoas precisam aprender a reivindicar seus direitos”, observa.
MÉDIA DE GASTOConforme pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito, SPC Brasil, o gasto médio para comemorar apenas o Ano Novo em 2018 foi de R$ 290,00 por pessoa. A economista chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, posicionou que, mesmo com a crise, o desemprego em alta, pelo menos 14% das pessoas iam viajar na Virada. “É muito gostoso comemorar, mas janeiro é o mês de contas novas. Foi viajar, que se faça as contas extras e que, na próxima, se planeje o janeiro e o ano”, reforça.   

Fonte: https://m.jcnet.com.br/Nacional/2019/01/contas-podem-ate-triplicar-em-janeiro.html?utm_source=Whatsapp&utm_medium=referral&utm_campaign=Share-Whatsapp

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