O presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, e seu vice, general Hamilton Mourão, assinaram ontem, em sessão extraordinária realizada no Congresso Nacional, em Brasília, o termo de posse para o mandato de 2019 a 2022. “Estou casando com vocês”, brincou o 38º presidente enquanto assinava o termo com parlamentares presentes. Pouco antes, durante a sessão comandada pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), Bolsonaro e seu vice leram o compromisso com a Constituição e ouviram do 1º secretário da mesa, deputado Fernando Giacobo (PR-PR), a leitura do termo de posse.
Em seu primeiro discurso como presidente, Jair Bolsonaro (PSL) pregou um pacto com a sociedade e fez acenos à sua base eleitoral, ao pregar contra ideologia. Bolsonaro também pregou união, reconstrução do País, compromisso com uma sociedade sem discriminação e falou em revigorar a democracia.
“Esses desafios só serão resolvidos mediante um verdadeiro pacto nacional entre a sociedade e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na busca de novos caminhos para um novo Brasil. Uma de minhas prioridades é proteger e revigorar a democracia brasileira trabalhando arduamente para que ela deixe de ser apenas uma promessa formal e distante”, disse.
“A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer a ruptura com práticas que se mostram nefastas para todos nós”, afirmou.
“A irresponsabilidade nos conduziu à maior crise ética, moral e econômica de nossa história. Hoje começamos um trabalho árduo para que o Brasil inicie um novo capítulo de sua história. Um capítulo no qual o Brasil será visto como um país forte, pujante, confiante e ousado. Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação e divisão”, disse. Também falou em partilhar o poder com estados e municípios.
Bolsonaro falou por dez minutos em cerimônia no Congresso Nacional, após assinar o termo de posse. O presidente começou agradecendo a Deus por estar vivo, após ter sofrido um ataque a faca durante campanha em Juiz de Fora (MG).
“Minha campanha eleitoral atendeu ao chamado das ruas e forjou o compromisso de colocar o Brasil acima de tudo, e Deus acima de todos. Por isso, quando os inimigos da Pátria, da ordem e da liberdade, tentaram por fim a minha vida, milhões de brasileiros foram às ruas. Uma campanha eleitoral transformou-se em um movimento cívico. Cobriu-se de verde e amarelo, tornou-se espontâneo, forte e indestrutível, e nos trouxe até aqui.”
Terminou repetindo o bordão: “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. “Trabalharei incansavelmente para que o Brasil se encontre com o seu destino e se torne a grande nação que todos queremos.”
Donald Trump: ‘Os EUA estão com você!’
O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou o discurso do presidente do Brasil Jair Bolsonaro. Em sua conta oficial no Twitter, Trump escreveu “parabéns ao presidente Jair Bolsonaro quem acabou de fazer um grande discurso de posse – os EUA estão com você!”. A mensagem foi postada minutos após o término do discurso feito por Bolsonaro ao ser diplomado na Câmara dos Deputados.
A aproximação entre o governo de Trump e Bolsonaro tem sido costurada desde a eleição do brasileiro, no final de outubro. O presidente brasileiro deveria se encontrar ainda ontem com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, encarregado de liderar a delegação americana que está em Brasília. Pompeo também irá se encontrar com o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em Brasília.
A eleição de Bolsonaro tem sido classificada por autoridades americanas como uma “oportunidade histórica” de aproximação entre Brasil e EUA. Bolsonaro já sinalizou com políticas de relações exteriores semelhantes às adotadas pelo governo Trump, como a mudança da embaixada de Israel para Jerusalém.
No encontro com Bolsonaro, os norte-americanos pretendem falar sobre expansão de comércio e investimentos especialmente nas áreas de tecnologia, defesa e agricultura.
Onyx diz que o governo prepara um ‘revogaço’
O novo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse ontem que o governo está preparando um “revogaço” para os próximos dias, mudando portarias, instruções normativas e resoluções que “infernizam” a vida do cidadão. “Os primeiros atos serão no sentido de desfazer a burocracia. Isso pode ser feito por decreto, sem votação no Congresso.”
Jair Bolsonaro usará o expediente do decreto, logo nos primeiros dias de governo, para fazer mudanças na legislação sem passar pelo crivo do Legislativo. As medidas atingem praticamente todas as áreas – do Meio Ambiente à Indústria e Comércio, passando por Segurança, Agricultura, Transportes e Habitação – e vão além do pente-fino anunciado na semana passada para promover uma revisão de atos praticados pela equipe de Michel Temer.
“A gente brinca internamente que a gente está preparando um revogaço, que é para tirar da frente da vida das pessoas tudo o que atrapalha. É um processo forte e dentro de alguns dias vamos divulgar várias medidas”, disse Onyx.
Onyx informou que Bolsonaro lhe pediu para marcar uma reunião ministerial no próximo dia 3, às 9h. Para o ministro, as novas ações da equipe terão o objetivo de “simplificar a legislação existente e favorecer a atividade econômica, do pequeno ao grande empreendedor”.
Temer sai discretamente após solenidade
Foram menos de cinco minutos entre a entrega da faixa para o presidente Jair Bolsonaro, no parlatório do Planalto, à saída do agora ex-presidente Michel Temer e a mulher, Marcela, pela garagem privativa do palácio.
A saída discreta do ex-presidente, que governou na sombra da impopularidade, não impediu que ele ouvisse vaias do público que estava na tarde de hoje na Praça dos Três Poderes. As vaias começaram logo que ele apareceu ao lado de Marcela no alto da rampa para recepcionar o casal Bolsonaro e o vice-presidente Hamilton Mourão e sua mulher, Paula.
Depois de ouvirem gritos de “Fora Temer” e também o nome da ex-primeira dama ser entoado em tom de galhofa pelo público que se concentrava na Praça dos Três Poderes, o ex-presidente e a mulher entraram, por volta de 17h, num dos elevadores do segundo andar e desceram até o pátio no subsolo, onde estava um comboio de carros da Presidência.
Sem ser notada pelos convidados de Jair Bolsonaro que se concentravam na parte térrea do prédio, a comitiva de Temer deixou o Planalto pela saída lateral leste. O rumo era a Base Aérea de Brasília.
Michelle quebra protocolo e discursa em libras antes de Jair Bolsonaro
O segundo discurso de Jair Bolsonaro como presidente teve uma quebra de protocolo com a participação inédita da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, falando em libras aos apoiadores em frente ao Palácio do Planalto.
Em sua participação, que durou pouco mais de dois minutos, Michelle agradeceu o apoio e orações de eleitores em prol do marido desde o começo da campanha. Agradeceu também à família, amigos, mas especialmente ao enteado Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), “pela sua parceria nos 23 dias em que o marido ficou internado em São Paulo” após o atentado em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro. “As eleições deram voz a quem não era ouvido. E os brasileiros querem paz, segurança e prosperidade”, afirmou a primeira-dama.
Michelle afirmou ainda que, como primeira-dama, terá condições de ampliar seu trabalho junto à comunidade surda. “Vocês serão valorizados e terão seus direitos respeitados. Tenho esse chamado no meu coração e desejo contribuir com o desenvolvimento do ser humano”, disse Michelle.
Durante a transição, Michelle disse que pretende trabalhar em causas ligadas à “comunidade surda, pessoas com deficiência e portadores de síndromes, algo que Deus colocou na minha vida, no meu coração”.
Em seguida, atendendo a pedidos do público, Micheldeu dois beijos em Bolsonaro antes de concluir seu posicionamento. Ela encerrou o discurso agradecendo novamente pela saúde do marido e citou o slogan da campanha eleitoral, “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”
Fonte: https://www.jcnet.com.br/Nacional/2019/01/bolsonaro-assume-propoe-pacto-e-eleva-salario-minimo.html